A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 03/05/2020
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa a população em situação de rua no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pela invisibilidade social que possui essa parcela populacional mais vulnerável, seja pela consecutiva exclusão promovida pelo preconceito tanto social, quanto dos mecanismo de ação das políticas públicas, responsáveis pela garantia de direitos contidos na Constituição a todo e qualquer cidadão brasileiro. Nesse sentido, convém analisar as principais consequências de tal postura negligente.
É indubitável que a questão constitucional e a sua aplicação estejam entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que, no Brasil, a invisibilidade social do referido grupo rompe essa harmonia, haja vista que perante a lei, todos são iguais, sem distinção de qualquer natureza, o que representa uma falha no sistema democrático.
Outrossim, destaca-se a exclusão social como impulsionador do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que tal fato social oprime a população em situação de rua, uma vez que esta está muitas vezes ligada ao consumo de bebidas alcoólicas e de drogas, que desempenham o papel de instrumento de escapismo da triste realidade em que vivem.
É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério dos Direitos Humanos deve, por meio de verbas públicas, realizar campanhas midiáticas de forma que incentive o trabalho voluntário que auxilie os desamparados em tal situação, bem como apoiar o trabalho de ONGs que auxiliem estes indivíduos tanto no campo político, jurídico, social, quanto profissional, promovendo a assistência social ao prover dignidade e igualdade. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir palestras nas escolas ministradas por psicólogos, que discutam o combate ao preconceito com necessitados e ao seu estilo de vida muitas vezes de deploráveis condições de sobrevivência, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.