A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 23/05/2020
Na obra pré-modernista, ‘Triste fim de Poliquarpo Quaresma’, do escritor Lima Barreto, o major Quaresma, grande admirador do país, acreditava que, se superados alguns desafios, o Brasil alcançaria o patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, fora da literatura, percebe-se que tal horizonte não mimetiza a realidade atual, visto que o núcleo brasileiro ainda enfrenta sérios problemas, dentre eles o aumento da população de rua no Brasil. Esse âmbito de iniquidade é fruto tanto dos conflitos familiares quanto do silenciamento a nível pessoal.
Deve-se analisar, primeiramente, que os empecilhos no meio familiar é um fator determinante para problemática. Segundo o sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, o conhecimento deve estar vinculado aos problemas do presente. Nesse sentido, sabe-se que o mal funcionamento da sociabilidade no cenário familiar influencia tal questão, uma vez que, segundo à própria população de rua os conflitos familiares promove em grande escala à saída desses indivíduos do quadro habitacional doméstico. Consoante à essa temática, o pensador Zygmunt Bauman reflete que as interações sociais contemporâneas, evidenciam a liquidez do século, ou seja, que priorizam o egocentrismo em detrimento da irracionalidade social. Diante disso, combater tal panorama torna-se uma necessidade.
É vital evidenciar, ainda, que o aumento da população de rua no Brasil, encontra terreno fértil no silenciamento da sociedade. Acerca dessa assertiva, Habermas faz uma contribuição, que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Sob esse prisma, para que o empecilho seja solucionado, é necessário discutir sobre. Analogamente, constata-se certa lacuna no que se refere a essa questão, que ainda é muito silenciada, pois a população se mantém passiva e calada diante tal problematização, além do que, conforme o levantamento do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em 2019, cerca de 101 mil pessoas viviam nas ruas do país. Nessa lógica, trazer à parte esse tema e debatê-lo, amplamente, aumentaria a chance de atuação nele.
Portanto, pela perspectiva de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra lhe for aplicada. Em vista disso, depreende-se, o Poder Público, como instância máxima da administração executiva, juntamente com a secretaria especial do Ministério da cidadania, por meio de ações: palestras, publicações em redes sociais, propagandas televisíveis e bate-papos nos centros urbanos, orientar toda parcela populacional sobre as conjunturas desse impasse e como excluí-lo do núcleo, aderindo um comportamento mais humano e responsável, haja vista que a própria Constituição de 1988, assegura a todos os indivíduos o direito a moradia, para que, de tal forma, esses grupos possam ser resguardados. Somente, assim, os ideais do major Quaresma poderão ser evidenciados na nação.