A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 27/05/2020

No primeiro capítulo do clássico “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, Mudança, tem-se reverberado um dos principais problemas que assola o país: a questão da falta de moradia para o povo brasileiro. Certamente, em um mundo cada vez mais globalizado, a problemática abordada pelo autor romancista aparenta estar cada vez mais presente da realidade contemporânea. De certo, as várias tentativas de limpeza social e o individualismo dão alicerce para a manutenção dessa situação.

O hospital de Barbacena, em Minas Gerais, foi palco de um verdadeiro holocausto brasileiro. Nessa local, eram depositadas pessoas indesejadas na sociedade como, por exemplo, mendigos, pois dessa maneira, elas seriam apagadas e silenciadas para sempre. Inegavelmente, essas tentativas de “limpeza” social refletem até os dias atuais, uma vez que, as pessoas em situação de rua são marginalizadas e tornaram-se invisíveis a qualquer tipo de política inclusiva, desmascarando assim, a falta de humanização que envolve o impasse.

Além disso, a era pós-moderna é caracterizada pelo individualismo. Sem dúvida, o descaso com pessoas em situação de vulnerabilidade social (moradores de rua) evidenciam que, apesar de a empatia ser uma herança genética presente em todos os animais, os seres humanos passam atualmente por um retrocesso evolutivo. Assim, para Bauman, as relações estão cada vez mais fluídas e os indivíduos majoritariamente egoístas, conformando uma verdadeira modernidade líquida.

Desse modo, apesar de desafiador é necessário humanizar as pessoas em situação de rua o Brasil. Para que isso ocorra o poder legislativo poderia criar políticas que possibilitassem a ressocialização de pessoas em vulnerabilidade. Ou seja, oferecer incentivos fiscais para empresas e descontos em impostos para a população que auxiliasse esses indivíduos através apoio social, com alimentos, abrigos e amparo sanitário. Assim, poder-se-ia diminuir o número de casos e sobretudo, dignificar essa população.