A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 28/05/2020

Em uma cena do filme ´´Última Parada 174``, lançado em 2008 no Brasil, é exposto a precária situação de vida em que se encontram a parcela populacional em situação de rua no país, de modo que estes, são obrigados a cometer diversos crimes para sobreviver. Analogamente à obra, decorrente da ineficácia de políticas públicas fadas ao combate desse problema e de um acesso antidemocrático à educação, muitos brasileiros assemelham-se aos da obra cinematográfica.

Em uma primeira análise, é necessário evidenciar que as ações governamentais destinadas à diminuição do número dessa parcela vulnerável da população não estão sendo eficientes. Em virtude disso, dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) apontaram que a população brasileira em situação de rua aumentou em 5% nos últimos cinco anos, ultrapassando 110 mil em 2015.

Por conseguinte, cabe ressaltar que a falta de democracia em relação ao contato com uma educação de qualidade é um dos principais vetores do aumento exponencial  problema tratado, haja vista que, além de a parcela populacional carente não possuir acesso a uma formação profissional e intelectual adequada para trabalhar, não dispõem de recursos para inverter essa situação. Nesse viés, a pesquisa realizada pela Prefeitura de Belo Horizonte, na qual foi relatado que 62% dos residentes das ruas entrevistados sequer chegaram a concluir o ensino fundamental, comprova a ideia supradita. Portanto, é indubitável que o precário auxílio governamental destinado a esse povo, em conjunto com a discrepância presente no acesso  à educação, resulta em brasileiros como os do filme.

Em suma, com o intuito de diminuir o número de cidadãos carentes no Brasil, é necessário que o poder público - mantenedor da ordem, do bem-estar social e do progresso civilizatório - desenvolva, por meio de verbas governamentais, centros destinados à educação profissional e intelectual da parcela populacional vulnerável. Somente assim, almejar-se-ia que as pessoas do filme não sejam mais um reflexo da população brasileira.