A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 04/06/2020
O livro Capitães da Areia, escrito por Jorge Amado, demonstra a vivência e dificuldades de um grupo de garotos de rua que vivem em um trapiche abandonado na cidade de Salvador. Fora da ficção, tal realidade permeia na sociedade brasileira uma vez que há inúmeras pessoas vivendo em situação semelhante no cotidiano. Assim, a questão dos moradores de rua mantém-se crescente devido às ineficiências públicas e à insensibilidade social que os direcionam a padecer ao descaso.
É evidente que a falta de assistência governamental agrava a condição dos moradores de rua. Isso ocorre porque a essa parcela da população mão é ofertada garantias sociais, nem condições favoráveis à dignidade humana, como a alimentação, moradia e saúde. Segundo a Constituição Brasileira de 1988, o artigo 5° assegura uma vida digna a população. No entanto, apesar da existência da lei, os moradores de rua não possuem sua dignidade respeitada nem uma assistência social, o que evidencia a Fragilidade das Instituições, que conforme o sociólogo Durkheim defendia, ocorre quando há a ineficiência do Estado em cumprir seu papel. Sendo assim, as pessoas que vivem nas ruas continuam as margens da sociedade, mesmo existindo leis que deveriam assegurá-las a uma vida digna.
Outrossim, vale ressaltar que a insensibilidade da população colabora para que a vida dos moradores de rua se tornem ainda mais árdua. Tal fato se deve por causa da invisibilidade social gerada por atitudes antipáticas e individuais, as quais propendem esse grupo a sofrerem violências e preconceito. De certa forma, tais atitudes contrapõem-se a uma característica marcante da sociedade hodierna, que é a necessidade de ser visto o tempo todo, principalmente nas redes sociais, fato que ilustra o pensamento do filósofo Guy Debord e seu livro " a sociedade do espetáculo". Dessa forma, essa incoerência social de sempre querer ser visto, mas nunca notar o outro, principalmente os mais vulneráveis, resulta em uma invisibilidade social aos moradores de rua, que não são tratados como cidadãos, além de gerar sentimentos de solidão à essas pessoas que só gostariam de ser lembradas.
Em suma, as ineficiências públicas e a insensibilidade social não devem ser fatores que direcione os moradores de rua ao descaso. Portanto, o Ministério da Cidadania deve assegurar uma vida digna as pessoas que moram nas ruas, por meio da construção de casas de apoio, que garantam o bem estar desse grupo e forneça alimentação e saúde de qualidade, além de permitir que os moradores tenham seus animais de estimação, a fim de diminuir o número de pessoas vivendo nas ruas e honrar a Constituição. Ademais, o Governo deve instigar a empatia na sociedade, por meio de palestras e reportagens que conscientizem sobre essa parcela da população, com o fito de amenizar essa invisibilidade social. Dessa forma, a realidade de Capitães da Areia, ficará na literatura.