A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 09/06/2020
Durante a transferência da família real portuguesa para o Brasil, fez-se necessário que residentes de determinadas casas cedessem seus lares para que a nobreza, que acompanhava o rei, possuísse residência no país. Apesar do distanciamento temporal, essa realidade ainda se faz presente na sociedade atual ao revelar que a existência de desabrigados é consequência da falta de amparo social devido a forte desigualdade que rege a sociedade e consequentemente extingue suas chances de reintegração social por estarem situados em posições de margem social.
No Artigo V presente na Constituição brasileira está previsto que todo cidadão deve ser tratado como igual perante a lei. Porém, ao distanciar-se da teoria, torna-se evidente que o mesmo poder que criou este artigo falha ao executá-lo a partir do momento em que negligencia as pessoas que não possuem condições de possuir sua própria moradia mas é capaz de auxiliar aqueles que, por sua condição social, é capaz de revogar seus direitos. Portanto, prova-se que apesar da extinção legislativa da estratificação social presente no Brasil de 1808, os privilégios sociais continuam presentes como naquele período.
Na obra Capitães da areia, do escritor Jorge Amado, o autor denuncia o descaso com os moradores de rua através de jovens que para sobreviver precisam viver de furtos, sendo obrigados a morar em um armazém abandonado. De mesmo modo, ao distanciar-se da ficção, é evidente que a marginalização social é decorrente da escassez de oportunidades de ascensão social, tendo em vista que existe uma relação proporcionalmente direta entre poder aquisitivo e ascensão social. Ademais, existe também o preconceito enfrentado frequentemente por esta minoria que, por não possuírem ocupações sociais importantes, são vistos constantemente como ameaças e concomitantemente desprezados.
Dessarte, explícita-se que a presença de moradores desabrigados nas ruas é consequência da falta de amparo social. Logo, de imediato, o Ministério da Cidadania em parceria com Instituições privadas de construções civis devem investir em projetos de reformas de terrenos e prédios vazios para a implantação de moradias seguras afim de sanar as dificuldades enfrentadas pela população desabrigada, e a longo prazo, o Ministério da Economia juntamente com empresas do setor bancário devem investir em liberação de auxílios com o intuito de garantir que haja o início de uma equidade social.