A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 13/06/2020
A colonização brasileira foi escravista e, por conseguinte, desigual, perpetuando um índice de pobreza que se insere até os dias atuais. Nessa conjectura, a Revolução Industrial serviu para agravar ainda mais a miséria em todas as esferas sociais. Nessa égide, na contemporaneidade, muitos indivíduos se encontram à mercê de uma vida sem dignidade, seja pelo constante avanço tecnológico, seja pela negligência governamental. Por tais razões, subterfúgios devem ser encontrados para transpor essa triste realidade.
Torna-se imprescindível analisar, precipuamente, que o avanço tecnológico, sobretudo o da era tecno-científica, significou um grande passo para o desenvolvimento da sociedade. Todavia, a inserção dessas novas plataformas possibilitou também a substituição de mão-de-obra em pessoa pela incorporação de máquinas. Nesse sentido, muitos cidadãos passaram a perder seus empregos e se submeter a quaisquer tarefas para obter renda. Nesse diapasão, esse fato avassalou a pobreza e dividiu a sociedade em dois polos, o lado desenvolvido, marcado pelo domínio das tecnologias e o lado ignorado marcado pela ascensão da miséria. Consoante a Santo Agostinho, todos deveriam gozar dos mesmos direitos. Contudo, o que se vê, são pessoas habitando em ruas e sendo submetidas ao descaso, contrariando o pensamento agostiniano. Logo, mudar esse fato não é uma opção.
Faz-se mister refletir, ainda, que o investimento em políticas públicas para tentar inserir os desabrigados na sociedade é exíguo e quase inexistente. Nesse óbice, o Governo atua na satisfação das vontades das classes altas e médias, o que favorece a segregação social e o agravamento das desigualdades. Nessa perspectiva, os indivíduos que moram às ruas são aviltados e desprezados, raízes de uma sociedade histórica escravocrata e excludente. Parafraseando Francis Bacon, é preciso criar oportunidades e não somente transformá-las. Nesse viés, percebe-se a ineficiência governamental em engendrar oportunidades que viabilizem a integração dos pobres na sociedade. Dessa forma, enquanto não houver uma mudança, o País nunca atingirá o progresso.
Sob o olhar físico de Isaac Newton, uma força só é capaz de sair da inércia se outra força lhe for aplicada. Urge, portanto, que o Poder Público, em parceria com o Ministério da Agricultura, realizem políticas de geração de empregos, por meio do investimento na agricultura, em que os agricultores visem ao aumento da produção, contratando as populações carentes ao invés do uso incessante de maquinarias pesadas, com o fito de mitigar a situação de pobreza, oferecer melhores condições de vida, e ainda, incentivar as pessoas de classes mais altas a oferecer empregos às pessoas de classe mais baixa. Assim, será possível atingir o progresso e deixar a história no passado.