A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 20/06/2020
O inglês James Bowen conta em sua autobiografia “Um Gato de Rua Chamado Bob” a sua trajetória de vida nas ruas de Londres. Ao ter problemas com a família, ele se envolveu com drogas e passou a ter uma vida precária como morador de rua. Nesse meio, só conseguiu mudar os rumos de sua existência ao entrar para um programa de recuperação e encontrar a companhia de seu felino, Bob. Infelizmente, no contexto brasileiro também há uma parte da população nessa situação, porém é tratada como invisível pela sociedade e com descaso pelo país, que não faz esforços para reverter tal condição.
Antes de tudo, vale ressaltar que o elevado crescimento de indivíduos nessa vulnerabilidade têm uma de suas raízes na filosofia do sistema capitalista. Segundo o sociólogo Karl Marx, a riqueza produzida pelo capitalismo é proporcional a miséria que ele gera. Nesse sentido, é possível afirmar que os sujeitos entram nesse cenário não por causa de indolência, como diz o senso comum e sim porque o Estado capitalista não faz com que os recursos e oportunidades cheguem a todos. De forma lamentável, enquanto alguns concentram fortunas, outros acumulam pobreza.
No entanto, as questões importantes envolvidas na problemática não ficam apenas restritas às causas, mas também às consequências. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2015, havia 101 mil pessoas vivendo sem um lar. De maneira lastimável, é negado a esses seres humanos o artigo V da Constituição Cidadã, que teoricamente assegura os direitos fundamentais aos cidadãos. Como resultado, entram para o mundo do álcool, das drogas, sofrem preconceito e violência física nos estabelecimentos públicos e pelos intolerantes.
Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para diminuir o número de brasileiros em condição de rua. É fundamental, que o Ministério da Cidadania promova a reinserção do indivíduo na sociedade. Isso ocorreria por meio da construção de instituições de abrigo, com a presença de um acompanhamento psicológico, educação direcionada para quem precisar concluir o ensino fundamental e médio, auxílio para conseguir um emprego e moradia temporária até que seja alcançada uma independência financeira. Com essas atitudes, seria possível que os direitos constitucionais alcançassem mais gente e que histórias de superação, como a de James Bowen, fossem corriqueiras em território nacional.