A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 27/06/2020

A obra “O Cortiço”, de Aluísio Azevedo, retrata as camadas mais baixas da sociedade, durante o século XIX, as quais tinham que trabalhar em locais em condições deploráveis, em busca do dinheiro necessário para a sua sobrevivência. Tal situação perdura, de maneira análoga, até os dias atuais, com a população em situação de rua no Brasil, os quais sofrem com os desafios impostos e com o preconceito sofrido, além da dificuldade de mudança de vida. Acerca destes, faz-se necessário debater as causas e consequências da questão, a fim de atenuá-la.

Diante desse cenário, é importante ressaltar os motivos que contribuem para o aumento no número de pessoas vivendo em ruas, como problemas com álcool ou drogas, perda de empregos ou conflitos familiares, por exemplo. Segundo dados da Secretaria de Assistência Social do Rio de Janeiro, houve um crescimento de 150%, nos últimos três anos, na quantidade de pessoas em ruas, tendência observada também nos demais estados do país. Tais dados provam como a ausência de auxílio aos cidadãos que apresentem tais problemas influencia na ingressão cada vez maior a este estilo de vida, o que agrava a problemática.

Por conseguinte, ainda convém lembrar as consequências do entrave, como a marginalização do grupo na sociedade, além do preconceito praticado por camadas mais abastadas. Muitas vezes, pessoas em situação de rua são esquecidas pelos demais grupos, sofrendo com a discriminação, o que os impossibilita de mudar de estilo de vida. De acordo com as ideias do filósofo alemão Arthur Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento acerca do mundo. Dessa forma, a ausência de discussões acerca do tema cria “muros”, segregando cada vez mais a sociedade e gerando ainda mais desafios para o grupo.

É perceptível, assim, que o grande número de pessoas em situação de rua é uma problemática na hodiernidade e, por isso, é imprescindível que o Governo auxilie tais grupos por meio da criação de programas que promovam a reinserção do indivíduo na sociedade, garantindo a eles moradia, alimentação, saúde e higiene, para que possam ter uma melhor qualidade de vida. Ademais, é necessário que as escolas contribuam para que o preconceito reduza, por meio de aulas direcionadas, nas quais profissionais qualificados introduzam o tema aos alunos, para que a marginalização do grupo diminua. Dessa maneira, será possível atenuar a adversidade, assegurando para que os problemas retratados por Aluísio Azevedo não passem apenas da ficção.