A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 25/06/2020
O artigo quinto da constituição brasileira assegura, sobretudo, os direitos a igualdade, a vida e a propriedade. Sob essa perspectiva, no Brasil, tem-se uma parcela da sociedade que encontra-se vivendo nas ruas, o que contrasta com a teoria apresentada na lei. Desse modo, as causas da existência da população em situação de rua se devem à dificuldade das famílias frente aos vícios de seus entes e à reação das pessoas perante as situações adversas da vida.
Cabe salientar, em primeiro plano, que o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) fez uma pesquisa a qual constatou que 35,5% dos entrevistados afirmam ter ido às ruas por causa de drogas ou bebida. À vista disso, tais usuários apresentam, na maioria dos casos, instabilidades emocionais e físicas como consequências de seus vícios, por exemplo, a raiva extrema, em que o indivíduo age com violência verbal e física, além da pessoa poder manifestar patologias crônicas, tais como síndrome de Parkinson e câncer. Logo, os familiares que possuem pessoas com dependências químicas em seus lares, não sabem como reagir a essa realidade e veem como saída, muita das vezes, a exclusão deste ente ou induzem o dependente a decidir ir para as ruas, quase sempre, para retirar a responsabilidade de si.
Outro fator a se considerar, em segunda análise, é a maneira como as pessoas reagem frente as situações adversas da vida. Diante disso, de acordo com a pesquisa do MDS, 58,9% dos participantes relatam ter decidido ir às ruas em razão do desemprego ou das desavenças com parentes. Com isso, muitos indivíduos quando presenciam os cenários citados não têm esperanças de conseguirem mudar tal quadro e optam pelas ruas, cuja solução é mais atrativa a eles. Em suma, a dificuldade de vislumbrar mudanças somados ao descaso estatal, no que tange à disponibilidade de psicólogos a esse grupo em vulnerabilidade, fomentam a realidade hodierna enfrentada no país.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de medidas que atenuem a problemática vigente. Nesse contexto, o Ministério dos Direitos Humanos (MDH) deve promover campanhas midiáticas, mediante a vídeos e propagandas que revelem modos de lidar com dependentes químicos, ora com debates com profissionais, ora com depoimentos, a fim de que as famílias possam adquirir esse conhecimento e mudem sua reação, reduzindo as estatísticas de pessoas em vulnerabilidade social. Além disso, o MDH deve oferecer apoio às ONGs para que possam providenciar voluntários e profissionais, sobretudo psicólogos, a essa parcela da sociedade para que suas mentes sejam renovadas e possam ter anseio de tentar transformar seu estado, seja procurando cursos profissionalizantes a fim de se conseguir emprego, seja modificando a abordagem com seus parentes para um melhor diálogo. Assim, se implantadas tais medidas, o artigo quinto da constituição poderá ser a realidade do país.