A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 02/07/2020

Na obra “Capitães da Areia”, o escritor Jorge Amado aborda a situação de crianças e de adolescentes marginalizados no âmbito social, os quais são alvo de discriminação, devido estarem morando nas ruas. Tendo em vista tal panorama, nota-se que essa obra literária pode ser associada ao cenário da população em situação de rua no Brasil.

Em primeiro lugar, observam-se os estereótipos negativos em torno das pessoas que moram nas ruas, as quais são rotuladas como incapazes, preguiçosas e criminosas. Dessa forma, esses tabus -convenções sociais - embasam os maus-tratos e a violência - física e psicológica - que são destinadas a esses cidadãos. A exemplo disso, conforme o jornal O Globo, o morador Carlos Silva em situação de rua em São Paulo foi morto após ter 70% do corpo queimado enquanto dormia. Nesse contexto, vale destacar a inépcia governamental em relação a ausência de políticas públicas direcionadas para a inclusão social e para o amparo da população que mora nas ruas.

Soma-se a isso a invisibilidade social das pessoas em situação de rua. Dentro dessa lógica, vale ressaltar que essa forma de exclusão social ocorre no cenário contemporâneo, em razão da ausência da alteridade - respeito ao próximo. Segundo a teoria da “Sociedade Líquida”, postulada pelo sociólogo Polonês Bauman, as pessoas possuem relações fluidas e individualistas no meio social. Nesse sentindo, essa teoria pode ser relacionada ao egoísmo e as baixas relações interpessoais na sociedade. Logo, essas interações líquidas corrobora ao aumento do descaso da população em torno dos problemas não só sociais, como o alcoolismo, ausência de vínculos familiares, fome, mas também econômicos - desemprego - enfrentados pelos cidadãos que moram nas ruas.

Urge, portanto, que o Governo Federal, mediante o repasse de verba, implemente na adequação de abrigos limpos e seguros. Isso deve ocorrer com intuito de fornecer hospedagem e recursos, como cama, banheiro e coberta aos cidadãos em situação de rua no período noturno. Em adição, é fundamental que o Estado por meio da disponibilização de recursos financeiros, invista em campanhas educativas não só no cenário midiático- tv, rádio e mídias sociais -, como também em escolas e empresas, públicas e privadas ,com palestras e seminários com profissionais da assistência social. Isso deve ocorrer a fim de desenvolver a alteridade e consciência crítica nos indivíduos.