A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 11/08/2020
Beirando os 13 milhões de desempregados, o Brasil é afetado pela pandemia da COVID-19 no setor econômico. Outrossim, faz-se mais visível, sendo cada vez mais frequente nos noticiários, reportagens que mostram a vulnerabilidade de moradores de rua, outrora obliterados. Temática sumamente social, faz-se necessária análise de ambos os lados : o viés do carrasco, mas ainda mormente o viés da vítima.
Quanto ao primeiro, sua ideologia é duramente afetada pela mentalidade capitalista. Assim, bancos operam a altos juros imobiliários, o fenômeno geográfico da especulação imobiliária cerceia moradias à espera da valorização especulativa de espaços, o Estado corporativista não consolida políticas de bem estar social, a findar pela adaptabilidade social resignada ao mercado de trabalho, através da qual constroem-se os sabidos preconceitos relacionados ao pobre, aquele que em última análise não trabalha por vontade própria.
Desta forma, tem-se, uma vítima segregada no espaço urbano - tendência observada desde a Revolução Industrial, na qual uma massa de trabalhadores, por meio de intenso êxodo rural, foi iludida pelas promessas de prosperidade econômica, ocupando, tal qual os moradores de rua, espaços privados de higiene e segurança. Os miseráveis, ainda que com albergue, são realocados em zonas periféricas. Por conseguinte, mendigos têm sua humanidade vilipendiada. Em “O fim do Homem Soviético”, a Nobel de Literatura Svetlana Aleksiévitch detalha o relato de uma russa, expulsa de seu apartamento moscovita por golpistas. Dormindo com sua filha em uma estação de trem, a mulher revela sentimentos tão humanos, tais como a tristeza, o amor, e mormente, a esperança.
Em suma, moradores de rua têm parte de seu destino alicerçado no capitalismo, a partir de uma ideologia que tende a desumanizá-los e justificá-los por sua condição. Obviamente, estratégias de combate ao problema devem perpassar por uma educação libertadora, que vise à formação de uma sociedade igualitária. Governos e municípios devem planejar cursos técnicos exclusivos à população de rua, visando a rápida integração destes no mercado de trabalho.