A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 12/08/2020

Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. Não obstante, verifica-se, na contemporaneidade, que tais ideias apresentam-se de maneira oposta aos ideais expostos por More, uma vez que a população em situação de rua no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos do pensador inglês. Dessarte, percebe-se que a problemática possui raízes profundas na sociedade, não só pela negligência do Governo no princípio e no desenvolvimento do empecilho, mas também em função do silenciamento e descaso social.

Mormente, é fulcral destacar que o óbice em questão deve-se muito à negligência do Governo no que se concerne à elaboração de políticas públicas que promovam melhorias na vida da sociedade, promovendo, consequentemente, uma diminuição do número de cidadãos em situação de rua no Brasil. De acordo com um levantamento do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, realizado em 2008, 30% da população de rua chegou a esta situação devido ao desemprego. Consoante Thomas More, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, conquanto, analisando os dados supracitados, torna-se notório que isso não ocorre no Brasil. Desse modo, faz-se mister que ocorra uma reformulação dessa postura estatal de maneira urgente.

Outrossim, é imperativo pontuar que isso ocorre muito em função do silenciamento e descaso da sociedade. Nessa lógica, o filósofo Karl Marx teceu diversas críticas, em suas obras, sobre a atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Em se tratando da população em situação de rua no Brasil, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamenta, pois o Estado brasileiro não promove a conscientização social em nenhuma de suas instâncias, como a escola ou os meios de comunicação, ferindo, assim, a cidadania e as garantias constitucionais.

Averigua-se, desse modo, que medidas devem ser efetivadas para combater a questão. Para tanto, o Governo Federal, como instância máxima da administração executiva, deve agir em favor da população, por meio da exigência de que as empresas promovam a abertura e criação de novas e maiores oportunidades de emprego ao grupo social mais carente, além da criação de núcleos especializados em ajudar e dar assistência à população em situação de rua. Ademais, a mídia como um todo deve promover, em nível mundial, palestras educacionais por meio do ambiente virtual, isso deverá ocorrer gratuitamente, com profissionais capacitados, a finalidade de tal efeito encontra-se em diminuir o percentual de casos e proporcionar uma consciência coletiva. Somente assim, a questão deixará de ser uma pedra no caminho da sociedade.