A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 10/09/2020

Thomas H. Marshall, sociólogo britânico especializado em noção de cidadania e de direitos humanos, afirma que um grupo social minoritário é aquele que não possui pleno acesso aos direitos civis, sociais e políticos. Nesse sentido, a população em situação de rua é uma minoria, pois a ela é negada uma série de direitos básicos, como moradia, alimentação e segurança. Assim, é notória a gravidade do quadro dos desabrigados no Brasil, visto que a quantidade deles é cada vez maior, ora por causa do desemprego, ora devido à dependência química, sendo indispensável a formação de uma rede nacional de apoio e acolhimento a eles urgentemente.

Dentre os fatores que contribuem com o aumento dos indivíduos que não possuem habitação regular, destaca-se o agravamento da crise socioeconômica brasileira, que aumentou os índices de desemprego e faz com que diversas pessoas não sejam capazes de se sustentarem de forma digna. Esse fato é comprovado por dados publicados pela Folha de São Paulo que afirmam que mais de 30% desse grupo passou a viver dessa forma por falta de trabalho remunerado. Além disso, segundo o sociólogo contemporâneo Byung Chul Han, todos estão vivendo sob intensa pressão para entregarem um alto desempenho familiar e laboral, por exemplo, tendendo a sucumbir. Logo, apesar do álcool e das drogas servirem como verdadeira válvula de escape a toda pressão vivida, podem gerar graves problemas familiares e econômicos que vezes obrigam essa população a usar as ruas como casa.

Por consequência, conforme a psicóloga e professora da Universidade de São Paulo, Cecília Prado, esse grupo social sofre com sérios casos de doenças mentais e sofrimento psicológico, como a depressão, devido à falta de garantia de seus direitos básicos e por viverem tão à margem da sociedade. Ademais, o preconceito que os atinge pode se manifestar por meio das violências verbal, física e patrimonial, podendo haver, inclusive, o agravamento dos problemas de saúde supracitados.

Portanto, com o intuito de garantir que esses vulneráveis tenham acesso a uma vida digna, é essencial que o Ministério dos Direitos Humanos realize campanhas que influenciem e incentivem o trabalho voluntário e a assistência a esse grupo social. Dessa forma, elas devem ser apresentadas em mídias sociais diversas, como televisão, rádio e redes sociais, e exponham depoimentos de indivíduos em situação de rua que se sentem praticamente invisíveis e ainda acreditam em um futuro mais decente e saudável. Além disso, o Ministério da Saúde deve garantir que eles tenham acesso a tratamento psicológico de qualidade, por meio de consultas gratuitas, com o objetivo de certificar que tenham condições de lutar por uma melhor qualidade de vida.