A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 21/09/2020
No filme “O Vendedor de Sonhos”, é narrada a história do Mestre, um homem que, após perder familiares e adquirir distúrbios psicológicos, passa a morar nas ruas da cidade. Contudo, apesar da utopia cinematográfica, a realidade do Mestre é destaque na contemporaneidade brasileira, visto que a questão da falta de moradia no século XXI é expressiva, bem como a exclusão social. Sendo assim, tais circunstâncias evidenciam, dentre outros fatores, a inobservância pública, que culmina no déficit habitacional, e as defasagens pessoais, como vínculos interrompidos.
Em primeiro plano, de acordo com sociólogo Zygmunt Bauman, há a teoria da Modernidade Líquida, a qual diz que o mundo está desorganizado em várias esferas. Nesse sentido, adaptando a máxima do autor às questões domiciliares, é notório que, além dos aspectos econômicos, as relações pessoais são precursoras do aumento da população em situação de rua. Desse modo, com o advento do capitalismo, aliado à globalização, o abandono familiar, o desemprego e a baixa escolaridade são fatores que impulsionam os indivíduos a recorrerem às avenidas em busca do sustento. Visto isso, com o aumento desses nichos, os índices de criminalidade e de dependência química são acirrados no país.
Paralelo a essas constatações e visando o passado histórico, a negligência governamental é comparticipe nos cenários residenciais, haja vista que, no governo de Juscelino Kubitschek, o slogan era “50 anos em 5”. Entretanto, essa ação gerou um processo acelerado de desordem nas habitações subsequentes. Sob essa ótica, estudos do IBGE afirmam que a falta de crédito imobiliário, coligado à disparidade entre o aumento do salário mínimo e o aumento dos imóveis, são marcadores do déficit habitacional. Isso, portanto, concretiza a teoria de Bauman e demonstra a escassez de projetos eficazes, ficando claro que deficiências públicas e civis impedem o progresso.
Diante do exposto, medidas são necessárias para minimizar as defasagens iminentes. Logo, cabe ao Poder Público, junto ao IBGE, a tarefa de diminuir a incidência dessa parcela da população, por meio do mapeamento da quantidade de moradores de rua por localidade e, posteriormente, implementar centros de defesa dos direitos humanos - em parceria com as Câmaras Municipais e apoios de ONGs -, à vista de promover a melhoria da qualidade de vida e reduzir o número de indivíduos sem-abrigo. Ademais, compete às famílias o dever de auxiliar nas dificuldades pessoais, por intermédio de terapias em conjunto - disponibilizadas pelo governo para áreas carentes -, com o fito de atenuar, desde o âmbito parental, os distúrbios que sucedem ao abandono. Assim, espera-se que a vivência do Mestre seja revertida na modernidade.