A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 27/09/2020
O Artigo 3º da Constituição Brasileira de 1988 estipula que eliminar a pobreza e a marginalização e reduzir a desigualdade social são os objetivos da República Federativa do Brasil. Porém, é claro que esse objetivo não foi alcançado, e um de seus reflexos é o grande número de pessoas que vivem nas ruas do Brasil. As barreiras para alcançar a igualdade e reduzir a falta de moradia incluem as diferenças étnicas e as dificuldades de acesso à educação enfrentadas pelo país.
Embora a Constituição afirme que todos os brasileiros são iguais perante a lei, os negros e seus descendentes vivem à margem da sociedade desde o período colonial. O preconceito racial está enraizado em nossa cultura, de modo que mesmo 130 anos após a assinatura da “Lei Áurea”, os afrodescendentes ainda encontram muitas dificuldades para adquirir bens. Segundo a teoria do “Habitus” do sociólogo Pierre Bourdieu, a estrutura social permite que comportamentos de um determinado período sejam refletidos de geração em geração.
Cerca de 30% dos moradores de rua estão nessa situação devido ao desemprego, fato que está intimamente relacionado ao baixo nível de escolaridade dessas pessoas. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, cerca de 3% dos moradores de rua possuem ensino médio completo, sabendo que a educação é um meio de ascensão social, fica evidente que o difícil acesso ao conhecimento por essas pessoas é que as mantêm nas ruas já que isso as afasta do mercado de trabalho.
É muito importante ensinar o respeito à diversidade étnica, as escolas e as famílias devem sempre explicar a história dos africanos no Brasil e sua influência na cultura. Além disso, devem ser criados programas de capacitação profissional para os mais carentes da sociedade e cursos técnicos para que essas pessoas encontrem empregos. Desta forma, a República pode atingir o objetivo de reduzir a desigualdade e a marginalização.