A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 21/09/2020

O surgimento da Revolução Industrial na Inglaterra, em 1760,  foi marco de um período transitório entre o feudalismo e aos berços do capitalismo, alterando a situação econômica e social de muitos sujeitos. Atualmente, tal cenário se expandiu de forma que em sua grande maioria, são representados pela população em situação de rua no Brasil, frutos da famigerada exclusão social e do domínio capitalista.

Primeiramente, é válido ressaltar que a exclusão é uma condição inerente ao sistema capitalista, a qual se subdivide em categorias culturais, econômicas e de gênero, consistindo em privar indivíduos (ou grupos) de diversas estruturas sociais. Nesse viés, os moradores de rua simbolizam a parcela mais abundante da exclusão, onde esse cenário vem se solidificando ao decorrer dos séculos - e com representação nas passagens literárias. Sendo assim, o autor Machado de Assis, em sua obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas” afirma em seu personagem o motivo de optar não ter filhos, tendo em vista a situação de miséria que assola a humanidade, consequências da ineficiência apresentada para cumprir a garantia de moradia eleita como garantia pelos Direitos Humanos, em 1948, restringindo as populações de rua a pouco (ou nenhum), acesso básico de higiene.

Desta maneira, a globalização e o avanço do capital contribuem grandemente para o agravamento social em questão. Nesse contexto, Karl Marx afirmava que “a pobreza está diretamente ligada a má distribuição da renda. Enquanto a maioria não possui, uma minoria detém quase tudo.”- expressa seu posicionamento para a vulnerabilidade, visto que o desemprego e a ausência de bens que são considerados “essenciais” para ser cidadão, agravam tal situação. A luta de classes e as diferenças acentuadas entre as camadas sociais, atualmente são o símbolo de um país miscigenado, um país de cultura, que apresenta a aculturação dos seus cidadãos . Nesse contexto, uma pesquisa realizada pela Folha de S. Paulo em Janeiro de 2020, aponta que a maior concentração do aumento desses indivíduos em situação de rua, é na região Sudeste, contando com um aumento de 48% em um ano, e 58% nas capitais, onde apresentam a maior concentração de polos industriais do país.

Por conseguinte, fica evidente que, são indispensáveis medidas para intervir em tal problemática. Destarte, cabe ao Governo Federal, por meio do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), em parceria com o Sistema Único de Assistência Social (Suas), o investimento de verbas e a criação de programas que auxiliem e abrigue tais moradores, estimulando a maior oferta de emprego, a fim de desenvolver e devolver, a condição e os direitos cidadãos de cada indivíduo, reinserindo-os no mercado de trabalho, bem como na sociedade.