A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 22/09/2020
Promulgada em 1988, a Constituição Federal Brasileira, em seu artigo 6º, garante como direitos básicos a moradia e o bem-estar social. Contudo, a realidade é nitidamente distante do documento, visto que fatores como o desemprego e a dependência de drogas e álcool, favorecem o crescimento da população em situação de rua, a qual enfrenta extrema pobreza e conflitos diários para sua sobrevivência.
Em primeiro lugar, é evidente que a presença da globalização e o progresso na economia do país requer profissionais cada vez mais qualificados para a execução de determinada função. Dessa maneira, trabalhadores que não se enquadram neste atual modelo econômico, por motivos como a falta de qualificação profissional, não são empregados e enfrentam necessidades, pois, em grande parte, não são capazes de arcar com custos básicos de alimentação, saúde e habitação, por isso, milhares de pessoas têm como única alternativa fazer das ruas a sua moradia. De acordo com o Censo Pop Rua, Censo Nacional sobre a População de Rua, dentre os principais motivos para viver na rua, o desemprego representa 30%.
Além disso, o uso e o abuso de álcool e drogas também são alguns dos principais motivos que levam as pessoas para a situação de rua, pois essas substâncias, na maioria dos casos, geram comportamentos violentos no usuário, o qual pode colocar em risco familiares e pessoas próximas, assim, em maioria, os viciados são expulsos de casa e buscam refúgio em pontos de venda e consumo de entorpecentes, por exemplo na Cracolândia. Mesmo após está experiência traumática de exclusão, pelo grau de compulsão ser tão grande, os dependentes, em grande parte, não conseguem abandonar o vício, pois o usam para escapar de todas as situações de miséria, fome, doenças e violência, as quais estão submetidos diariamente nas ruas. De acordo com a Coordenadoria de Prevenção às Drogas, o álcool é a droga mais consumida pelos usuários, com 60% dos casos, seguido do crack e da maconha, com 35% e por último a cocaína, com 5% dos casos. Visando reduzir a quantidade de pessoas em situação de rua no Brasil, o governo federal deve direcionar parte da verba dos impostos para a construção de instituições especializadas no tratamento de dependentes químicos, as quais devem oferecer tratamento clínico e psiquiátrico, para que esses indivíduos sejam reabilitados de maneira gradual na sociedade e possam começar uma vida nova. Ademais, o Estado deve, por meio de parcerias com instituições de ensino técnico, criar programas gratuitos de qualificação profissional que contemplem os moradores de rua, para que eles tenham condições de se reinserir no mercado de trabalho e possam se manter economicamente. Dessa forma, espera-se que muitos indivíduos recuperem sua identidade e tenham a capacidade de desenvolver uma vida pessoal e profissional com integridade diante da sociedade.