A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 22/09/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante o nacionalismo ufanista. Entretanto, a falta de acesso à internet, torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela negligencia governamental, seja pelo preconceito imposto pela sociedade, o problema permanece e exige uma reflexão urgente.
Cabe em primeiro plano pontuar o pensamento do filósofo John Locke, no qual é dever do Estado, segundo o contrato social estabelecido por ambos, garantir os direitos dos cidadãos como forma de atingir o equilíbrio na sociedade. Sob essa ótica, é possível perceber a quebra do contrato social, visto que direitos básicos como a moradia não são parte da realidade da população de rua. Dessa forma, uma vez que o Estado não cumpre sua função natural, a situação de exclusão social desse grupo perpetua-se.
Alem disso, o tratamento desdenhoso os tangenciam ainda mais para a margem. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a Pós-Modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo e pela fluidez dos valores morais. Essa fragilidade ética faz surgir como proposta de solução, alternativas imediatistas como, por exemplo: escondê-los ou enviá-los, compulsoriamente, para abrigos, onde não possam ser vistos, e, consequentemente, passam a ser ignorados.
Logo, percebe-se que são necessárias ações para alterar esse cenário. Por isso, os prefeitos municipais devem implantar programas educativos que incluam os sem-tetos e a comunidade local. Ambos deverão participar de palestras e oficinas em salas de aulas e espaços públicos, com a colaboração de pedagogos, sociólogos e profissionais de saúde. Ademais deverá ter a distribuição de cartilhas educativas e um acompanhamento criterioso dos resultados. Tais ações tem como objetivo favorecer a convivência harmoniosa entre as pessoas e garantir haja respeito mútuo entre aqueles que convivem no mesmo bairro.