A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 22/09/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, tem como característica mais marcante um nacionalismo ufanista acreditando em um Brasil utópico. Entretanto, A população em situação de rua no Brasil torna o país mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela grande dependência química por parte dos moradores de rua, seja pelo preconceito enraizado na sociedade, o problema permanece afetando grande parte da população e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, é válido reconhecer que o consumo de drogas lícitas ou ilícitas por parte dos moradores de rua limita a cidadania do indivíduo, uma vez que esta significa, na prática, viver com dignidade. No livro Cidadão de papel, Gilberto Dimesntein afirma que – apesar da Declaração Universal dos Direitos Humanos e de todos os modernos códigos legais que regem o país – o Brasil ainda é negligente quando o assunto é a proibição de produtos considerados lícitos, mas que causam um grande impacto na saúde do indivíduo por isso a cidadania ainda não saiu do papel. Logo, é substancial a mudança desse quadro.
Em segundo lugar, fica-se evidente que o preconceito mantido no século XXI corrobora para solucionar tais impasses. De acordo com a frase do poeta modernista, Carlos Drummond de Andrade, ‘No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra no meio do caminho’. Dentro do contexto do tema, a exclusão sofrida pelos residentes de rua, torna-se uma pedra no meio do caminho para a melhoria dessas condições de vida desta parcela da população brasileira. Dessa forma, a discriminação continua sendo algo que caracteriza grande parte da sociedade, ficando notório a falta de relações harmoniosas entre as diferentes classes sociais.
Portanto, a situação precária dos habitantes de rua é um grande desafio e precisa ser combatida. Em primeiro lugar, é dever do Ministério Segurança Pública em parceria com o Ministério das Relações sociais, criar unidades de centros de ajuda aos moradores de rua, proporcionando acolhimento, saúde, educação e tratamentos contra a dependência química, por meio de verbas federais, liberadas aos estados. Ademais, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) deve promover cursos gratuitos profissionalizantes que complementem a formação dessas pessoas, mediante linguagem de fácil entendimento e conhecimentos práticos, com vistas a aumentar as chances de eles conseguirem emprego e moradia. Assim, as mazelas da urbanização não planejada poderão ser amenizadas, e o Brasil, um pouco menos desigual.