A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 22/09/2020
Policarpo Quaresma, protagonista de Lima Barreto, do clássico “O triste fim de Policarpo Quaresma”, tem como característica mais marcante o nacionalismo ufanista. Entretanto, o descaso com os moradores de rua, torna o país ainda mais distante do imaginado pelo personagem. Nessa perspectiva, seja pela má distribuição de renda, seja pela falta de escolaridade, o problema permanece e exige uma reflexão urgente.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a desigualdade na distribuição de renda é uma das causas da elevada quantidade de pessoas em situação de rua. Isso acontece em virtude desses cidadãos não possuírem uma renda mínima para seu sustento. Exemplo disso pode ser encontrado nas informações divulgadas pelo IBGE, revelando que, no censo de 2010, 10% dos mais pobres possuem apenas 1,1% da renda nacional, enquanto os 10% mais ricos tinham 44,5% da renda. Sendo assim, esses fatores atuam em fluxo contínuo e favorecem na formação de um problema social de dimensões cada vez maiores.
Outro fator a ser analisado é a falta de escolarização desses indivíduos. Tal fator gera uma dificuldade na obtenção de empregos, forçando essas pessoas a trabalharem informalmente, como ambulantes, ou em subempregos, recebendo salários muito baixos, não sendo suficiente para manter as necessidades básicas de um indivíduo, forçado este a morar na rua. Logo é substancial a mudança desse quadro.
Torna-se evidente, portanto, a urgência da tomada de medidas para alterar o cenário vigente. Dessa maneira, é dever do Estado realizar uma redistribuição da renda, adotando algumas politicas, como sistema de assistência social e seguro desemprego, afim de alcançar uma distribuição mais igualitária do bem estar econômico. Somado a isso, o governo precisa democratizar o acesso a escola, investindo em infraestruturas de ensino e oferecendo mais oportunidades de estudo. Somente com essas ações é possível diminuir o número de pessoas nas ruas e reverter essa situação.