A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 22/09/2020

Na obra “A cidade do Sol”, do escritor renascentista Tommaso Campanella, é retratada uma sociedade utópica, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o descaso com a população em situação de rua no Brasil, contraria a idealização formulada pelo filósofo. Nessa perspectiva, diante de uma realidade instável que mescla discussões sobre a inadvertência do Governo e sobre a falta de amparo da população com os sem-teto, o entrave permanece afetando grande parcela da população e exige uma reflexão imediata.

A priori, é importante ressaltar que consoante a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), todos os indivíduos possuem o direto à moradia, sendo inalienável e indispensável ao ser. Entretanto, a negligencia governamental é um fator que corrobora para o problema em questão. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, atualmente, cerca de 100 mil pessoas residem nas ruas, ou seja, há mais de 100 mil pessoas que não tem seus direitos assegurados e protegidos pelo Estado. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Ademais, é fulcral pontuar a inflexibilidade do tecido social em diligenciar projetos de reinserção à sociedade aos mendigos. Em conformidade com o método do sociólogo alemão, Max Weber, a partir do qual relata que o entendimento da realidade social seria possível por meio da compreensão das ações dos indivíduos. Contudo, a inoperância de medidas sociais que promovam a reintegração dos moradores de rua à sociedade vai contra todo e qualquer viés. Desse modo, denota-se que as concepções enraizadas de estigmas se apresentam como empecilho para concretude de ações cidadãs propostas por Weber.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Assim, é necessário que o Governo Federal, em parceria com a Secretaria Nacional de Assistência Social, deve criar programas que promovam a reinserção do indivíduo na sociedade, por meio de ações que garantam a moradia, alimentação, saúde, higiene e a proteção para eles, além de aplicar campanhas de abrangência nacional junto as emissoras televisivas e as redes sociais, que divulguem a situação dessa minoria e motivem a ajuda ao próximo, incentivando o sentimento de coletividade. Somente assim, notar-se-á a sociedade ideal e perfeita especificada na utopia de Campanella.