A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 22/09/2020
Em sua obra “A condição humana” a filósofa alemã Hanna Arendt afirma que a autonomia do homem se transformou na tirania das possibilidades. Em outras palavras, a modernidade impôs ao homem padrões esperança e culpa. Ao considerar esse olhar filosófico como ponto de partida para tecer argumentos acerca de “A população em situação de rua no Brasil”, é necessário verificar quais elementos sociais foram determinantes nesse entrave. A vista disso cabe não só analisar de que forma essas pessoas chegaram nessa situação de rua, mas inquirir porque com o passar dos anos esse problema só aumenta.
Um fato extremamente preocupante é que a maioria dos moradores de rua tem problemas com ausência de vínculos familiares, desemprego, violência, perda da autoestima, alcoolismo, uso de drogas, doença mental, entre outros fatores. Seguindo essa linha de pensamento pode se compreender que estes são alguns dos motivos pelos quais esses seres humanos vão parar em situação de rua. Não é de espantar, com tudo que o surgimento da população em situação de rua é um dos reflexos da exclusão social, já que essas pessoas em situação de rua convivem constantemente com a não garantia e acesso aos direitos sociais conquistados pela constituição federal de 1988. em vista disso é inegável que constituem assim como sujeitos a margem de uma sociedade que exclui e estigmatiza.
A posteriori, vale lembrar que existe o desinteresse dos estados pelas pessoas que se encontram na referida situação, que influencia diretamente no comportamento da sociedade, sendo que os moradores de rua são tratados ora com compaixão, ora com repressão, preconceito, indiferença e violência que a maioria dessas pessoas já sofreram apenas pelo motivo de estar em condição de rua. Apesar de os homens serem maioria nas ruas, a taxa de violência contra as mulheres é maior, principalmente entre as mais jovens e de pele negra. Segundo a (SINAN) Moças entre 15 e 24 anos de idade somam 38% dos casos. No geral, as mulheres são mais agredidas que os homens: 50,8% frente a 49,2%. Enquanto o estado não tomar atitudes adequadas, consequentemente mais e mais pessoas tornam-se moradores de rua.
Diante desse cenário, são necessárias ações que busquem minimizar esse quadro. Inicialmente cabe ao Ministério da Cidadania, a tarefa de reintegrar essas pessoas a sociedade para que possam ser alfabetizadas e terem uma formação por meio de instituições e abrigos, planejando que os mesmos tenham uma vida melhor e uma forma de auto sustento próprio. Ademais, vistas a necessidade de implementação de políticas públicas voltadas para programas de prevenção às drogas, e de ajuda psicológica gratuita. Implementadas essas ações esperam-se solucionar o impasse.