A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 22/09/2020
Na obra “Capitães de areia”, de Jorge Amado, são retratadas as vidas de um grupo de meninos que vivem nas ruas do Brasil. Na trama, são narradas as dificuldades e necessidades encontradas por Pedro Bala e sua turma ao conviverem e sobreviverem a tal situação no estado da Bahia. De maneira análoga, a realidade não se mostra muito diferente da ficção, visto o atual cenário em que cerca de 110 mil pessoas encontram-se nessa situação de vulnerabilidade, segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em que lhes são negados direitos básicos civis, sociais e políticos. Sendo assim, valida-se a necessidade de análise dos fatores que integram esse cenário.
A priori, segundo a Constituição Cidadã brasileira, em vigor desde 1988, a moradia é um direito social de todo cidadão brasileiro, direito esse que mostra-se sendo ignorado pela população e pelos órgãos constitucionais. Nesse cenário, os indivíduos em situação de rua são cidadãos de acordo com a Lei, no entanto, não lhes são reconhecidos a dignidade e a igualdade. Há nesse caso, um contraste entre o direito constitucional e a invisibilidade social, além do abandono dessa população. Ademais, segundo Aristóteles, a política deve ser utilizada de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade, dessa forma, conclui-se que há uma contrariedade vigente ao defendido pelo filósofo grego no que tange a situação vivida pela população de rua brasileira.
A posteriori, o atual modelo econômico vigente, seguido pelos países do mundo favorece a marginalização dessa vulnerável população, oque colabora para o agravamento do cenário atual. Segundo o documentário “Eu existo”, produzido pela USP, os indivíduos de rua reclamam da invisibilidade social, assim como a impossibilidade de mudarem seu contexto social. Nessa conjuntura, há um grande preconceito para com essa parte populacional em sua situação atual, visto dados divulgados pelo Senado, que mostram que entre o perfil dos moradores de rua, 29,8% deles estão desempregados. Esses não conseguirão sair de suas atuais situações por conta do incontestável preconceito sofrido e ficarão fadados a atividades não formais de emprego para sua subsistência.
Dessa forma, conclui-se os problemas relacionados a população em situação de rua no Brasil. Nesse caso, é vantajoso que o Governo Federal, em parceria com ONGs HABITAT, promovam a construção de moradias, como um direito humano fundamental, com a ajuda de voluntários da região, que serão convocados por meio de medidas midiáticas, ao mesmo tempo em que sejam organizados estímulos fiscais, como isenção de impostos, às empresas para a contratação dessa parcela da população, de modo que eles possam se sustentar em suas novas residências e não correrem risco de uma nova marginalização e privação de direitos. Assim, a problemática será resolvida.