A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 26/09/2020

A obra contemporânea Ensaio sobre a cegueira, do escritor português José Saramago retrata a história da população de uma cidade acometida por uma cegueira branca, impedindo-a de ver a realidade. À luz dessa óptica, pessoas em situação de rua no Brasil contemporâneo, tornam-se invisíveis à sociedade. Assim, faz-se relevante analisar como a desigualdade social e o vício são fatores essenciais à manutenção desse cenário desafiador que deve ser desconstruído.

Em primeira análise, a desigualdade social existente no território nacional é consequência de um passado histórico pautado em diferenças. Parafraseando o filósofo Contratualista Rousseau, a desigualdade social teve seu berço na antiguidade quando o homem cercou um pedaço de terra e afirmou ser dele impedindo o outro de também o ter. Desse modo, enquanto muitas pessoas acabam vivendo em situações de extrema vulnerabilidade, outra parcela populacional, destaca-se por multiplicar seus patrimônios herdados. Posto isso, o sofrimento oriundo da camada menos favorecida da sociedade resulta na perpetuação de uma história arraigada no seio social.

Além disso, muito embora a desigualdade social seja causa direta do aumento de pessoas em situação de rua, os vícios também são coeficientes medulares para a permanência das pessoas nas ruas. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ministério do desenvolvimento social e combate à fome cerca de 35,5 por cento da população brasileira em situação de rua está nas ruas por conta dos vícios. Sendo assim, o vício é um problema de saúde pública presente na sociedade atual.

Nesse ínterim, observa-se que a desigualdade social gera a vulnerabilidade e invisibilidade a essa parcela desvalorizada do corpo social. Sendo assim, cabe ao Governo por meio do Ministério da Cidadania mapear o número de pessoas em situação de rua e suas necessidades para estabelecer programas que auxiliem, de fato, o retorno dessas pessoas à sociedade. Dessa forma, resolver-se-á tal problemática.