A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 22/09/2020
O filme “À Procura da Felicidade”, com Will Smith, mostra a luta de um pai solteiro e desempregado que passa por dificuldades diárias, como falta de abrigo e comida, e tenta suavizar essa situação enquanto cuida de seu filho. De forma análoga à trama, a população em situação de rua representa uma questão social problemática a ser tratada, visto que enfrenta muitas dificuldades e possui baixa visibilidade. Frente a isso, é necessário discutir os fatores que levam pessoas a morarem na rua e as dificuldades enfrentadas por essa parcela marginalizada.
É necessário, sob esse viés, ressaltar que a grande maioria da população em situação de rua não é pedinte. Segundo dados da Organização Médicos Sem Fronteiras, 99% deles enfrenta longa jornada de trabalho diária, e não possuem moradia fixa por motivos de desavença familiar, perda de um ente querido, desamparo, perda de autoestima, alcoolismo, uso de drogas, distúrbios psíquicos ou perda de emprego formal estável. Desse modo, depois de um longo dia em trabalhos informais, buscam leitos em albergues públicos ou marquises na rua para se protegerem do frio, da chuva e até ataques de estranhos.
Nessa perspectiva, a falta de vagas em locais de acolhimento aliada a visão higienista de parte da sociedade, corrobora ainda mais os percalços enfrentados por quem não tem um teto. Assim, quando não conseguem acolhimento, muitas pessoas são obrigadas a passar a noite na rua, sujeita à violação, aliás não é incomum que noticias acerca da agressão ou morte de mendigos estejam presentes na mídia, visto que indivíduos – muitas vezes de classe alta – sentem-se no direito de “limpar” as cidades, livrando-se de seres humanos que consideram escória por meio de atentados contra a vida. Tais atitudes criminosas ratificam a obra “Cegueira Moral”, de Zygmunt Bauman, a qual alega que a perda de sensibilidade frente ao sofrimento alheio é característica de uma sociedade egoísta e relações fluidas.