A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 22/09/2020

A realidade da pobreza nas ruas está presente desde períodos que remontam as civilizações greco-romanas. Diógenes de Sinope, por exemplo, foi um filósofo que viveu na Grécia Antiga entre os anos 405 a.C. e 323 a.C., e que, por escolha própria, vivia a perambular pelas ruas das cidades e morava em um barril, sendo assim conhecido por “kinos”, o cão. De maneira análoga, hoje o Brasil vive um crescimento abrupto do número de pessoas em situação de rua, muitas delas se sujeitando a esta condição por fatores financeiros, relacionais, devido ao uso excessivo de drogas, que as levam  ao vício, ou até mesmo porque encontram nas ruas uma condição favorável de vida, aproveitando-se dos benefícios adquiridos através de ONGs e ações de caridade. Dessa forma faz-se necessário que se estabeleça uma análise mediante os resultados alcançados pela esmola como forma de solucionar o problema da mendicância, encontrando assim, maneiras eficazes de sanar o dilema das ruas.

Primeiramente, é necessário compreender que um dos principais fatores que levam as pessoas a submeterem-se a realidade das ruas não é a questão financeira ou o desemprego somente, mas, em suma, são as desavenças familiares geradas por diversos fatores, sejam elas de desvio de caráter, uso de drogas, falta de emprego, etc. É possível reconhecer que a maioria da população que vive em situação de rua não está carente de comida ou dinheiro, mas a pobreza presente na vida dessas pessoas está em seus relacionamentos, ou seja, eles possuem uma carência relacional muito maior que a material, pois muitos possuem emprego e moradia, mas encontram nas ruas um refúgio para desvanecerem-se de suas desilusões.

Em segundo lugar, é perceptível que por mais que as ações de ONGs, comunidades religiosas e anônimos em promoverem caridade, entregando uma quantia em dinheiro ou um prato de comida, possa resolver a questão da fome nas ruas, ela mais serve como forma de “amaciar” a consciência daqueles que exercem gestos caridosos, do que para solucionar de maneira geral a miséria e o descaso vivido pela população de rua. Segundo Yago Martins em seu livro “A Máfia do Mendigos”, a es-mola cria, para os mendigos, uma condição em que é mais confortável viver nas ruas sem precisar se preocupar em trabalhar, pagar as contas ou arcar com as despesas com alimentação.

Dessa forma, em vista dos fatos mencionados, é imprescindível que as Organizações Não Governamentais, junto à população que vive de maneira digna, invista em aprofundar-se no relacionamento com os mendigos, indo além de somente dar uma esmola ou um prato de comida, mas comprometendo-se em conhecer a realidade de cada indivíduo que vive nessa situação, levando muito mais do que suporte material, mas acima de tudo, auxilio emocional e psicológico aos necessitados.