A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 22/09/2020

Desigualdade, desabrigo e desconsideração. A questão dos moradores de rua no Brasil é um contratempo existente na sociedade desde os primórdios de sua formação e perpetua até atualmente. Esse aspecto consta uma das razões pelas quais o país é visto como um dos com maior taxa de desigualdade no nível mundial. Ademais, diante da comunidade dos sem-teto, as crianças são o principal alvo afetado, dado que elas já nascem nesse contexto caótico, de modo que se torna crucial a discussão desse cenário problematizado que envolve fatores políticos e sociais.

No Rio de Janeiro, em 1993, mais de 70 crianças e jovens que se acolhiam em frente à Igreja da Candelária tiveram seu abrigo violentado por sujeitos mascarados, esses abriram fogo contra o local onde oito foram mortos, e os sobreviventes ainda sofreram com as sequelas da agressão. Após 25 anos o problema continua: na cidade de São Paulo, em torno de 370 pessoas que moravam no edifício antigo da prefeitura que estava desativado sofreram com o desabamento do prédio, sujeitando-se a dormirem nas ruas e sofrerem com frio, fome e furtos, conforme o jornal G1. Diante dessa realidade, pode-se concluir que os infortúnios ocorridos vão além de um problema individual, mas que inclui a sociedade como um todo, além disso, o histórico de tragédias deixa claro que há falta de políticas de amparo e socialização dos cidadãos que não possuem direito à educação, saúde e lazer, ocasionando desigualdade principalmente no que tange às crianças.

Nesse seguimento, a obra de Jorge Amado “Capitães da areia”, retrata a vida de um grupo de menores abandonados, que crescem nas ruas da cidade de Salvador, Bahia, vivendo em um armazém, roubando pela sua sobrevivência. Nota-se uma crítica social, que mesmo publicada no ano de 1937, ainda é realidade nos dias atuais, essa que é influenciada pelo alcoolismo e/ou uso de drogas, desemprego e conflitos familiares, de acordo com uma pesquisa nacional realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social entre os anos de 2007 e 2008 sobre “a população em situação de rua”.

Assim sendo, não basta retirá-los das ruas, mas reinseri-los no corpo social e garantir que tais complicações não voltem a sujeitá-los às antigas condições. Por conseguinte, é necessário que o governo federal tenha o planejamento social promovido, reinserindo aqueles que moram nas ruas na sociedade, através de reformas de abrigos e de prédios públicos inativos, que respeitem as necessidades básicas como o saneamento básico e o lazer, além da tutela no mercado de trabalho para que direitos como saúde, moradia e educação lhes sejam garantido. Além do mais, a formação e propagação de ONGs que contribuem com os necessitados potencializa o sentimento de empatia, ajuda a criar laços na comunidade e propicia a ideia de um país futuro com uma realidade melhor.