A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 22/09/2020
No final do século XIX, foi assinada, pela Princesa Isabel, a abolição da escravatura. Entretanto, tornar livres os afrodescendentes não fez com que lhes fosse garantido o bem-estar, resultando, então, no aumento de indivíduos em situação de rua no país. No Brasil contemporâneo, consta na Constituição Federal, em seu sexto artigo, o direito à vida e bem-estar social de todos. Contudo, tal direito não é conquistado por milhares de pessoas que ainda vivem nas ruas em situação de extrema precariedade, tornando necessário, portanto, analisar as decorrências e buscar meios de amenizar tais vivências.
Em primeira análise, é importante salientar os estudos antropológicos no entorno da problemática. É evidente para os pesquisadores que, a existência de indivíduos em situação de rua é uma realidade que acompanha a humanidade desde os primórdios das civilizações. Um exemplo disso é a menção desses indivíduos no Código de Hamurabi, considerado o primeiro conjunto de leis criadas pelo ser humano. Com isso, evidencia-se que, a negligência social para com essas pessoas, é uma problemática que possui preceitos históricos e culturais, tornando-a complexa ao ressaltar o pensamento do corpo social de que a presença de indivíduos vivenciando tal precariedade é, de certa forma, normal, natural, salientando, então, a importância em quebrar, gradualmente, esse paradigma na sociedade.
Em segunda análise, é imperativo evidenciar os fatores que ocasionam o crescimento de moradores de rua no país. Ao considerar a problemática uma consequência sociocultural, notoriamente as causas dessas vivências são, em suma, por questões conjuntas, ou seja, envolvendo mais de um indivíduo. Exemplificando a colocação, 29,1% dos indivíduos que vivem nas ruas do Brasil encontram-se nessa situação por desavenças familiares, de acordo com pesquisa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social. Somando-se esse fator ao aumento gradual do desemprego (causa que levou 29,8% desses indivíduos às ruas, segundo a mesma pesquisa citada), a falta de moradia faz dessas pessoas uma composição cotidiana das paisagens urbanas, tornando a busca por soluções extremamente necessária.
Infere-se, portanto, que a crescente população de rua no Brasil é uma problemática de preceitos socioculturais e amenizar a precariedade de tal vivência é necessário. Para isso, os meios midiáticos devem intervir, por intermédio de debates televiosionados, por exemplo, a fim de desconstruir socialmente o preconceito para com esses indivíduos. Ademais, é viável a intervenção do Estado através de investimentos em programas afins do já existente “Minha casa, minha vida”, para, então, ampliar o acesso a moradia e garantia de estabilidade em meio a infortúnios. Assim, será alcançado, gradativamente, o direito definido pela Constituição.