A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 12/10/2020

No documentário “Eu Existo”, é retratado um cenário odioso, no qual a população em situação de rua tem seus direitos gravemente violados. Entretanto, tal panorama está longe de ser fictício, uma vez que o Estado negligencia a mazela enfrentada pela parcela da sociedade em vulnerabilidade. Tendo em vista que o “todo” depende das “partes” para haver harmonia social, é necessário combater pontos que corroboram a inércia do problema: o desemprego, bem como a postura tímida do governo diante à problemática brasileira.

A princípio, é fundamental avaliar como o desemprego contribui para o aumento de pessoas nas ruas. De acordo com dados coletados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a grande causa para o crescente número de indivíduos desabrigados é a falta de emprego. Todavia, como consta no artigo terceiro da Constituição Federal, é exclusivo da esfera governamental erradicar a marginalização reduzindo as desigualdades sociais, entretanto, esse direito não é usufruído pela parte que, pelo descaso do governo, vive à margem da sociedade. Nesse sentido, é urgente a criação de oportunidades de trabalho àqueles que necessitam de recursos para manter condições básicas de moradia.

Em seguida, é relevante abordar o olhar tímido do poder público perante as péssimas condições que existem e não são solucionadas nos albergues. Em consonância com o artigo sexto da Carta Magna brasileira, todos tem direito à moradia. Assim sendo, como é retratado no documentário supracitado realizado no centro de São Paulo, a falta de insalubridade, segurança, alimentação, higiene, flexibilização, torna os albergues repulsivos pelas pessoas que necessitam de moradia digna, sendo que, a priori, eles foram projetados para atrair os desabrigados. Dessa forma, as pessoas optam por viver na instabilidade das ruas se sujeitando a adversidades favorecidas pelo perigo intrínseco a ausência de um teto. Em suma, é imprescindível a elaboração de projetos que ofereçam condições atrativas e salubres nos abrigos nacionais.

Logo,ficando evidente que a teoria de Durkheim, a qual cita que para existir uma sociedade harmônica é indispensável pensar criticamente nas partes que formam o todo - a sociedade- e resolver do micro para o macro, é correto pensar em alternativas capazes de dissolver problemas enfrentados pela parcela vulnerável da nação. Sendo assim, o governo deve suscitar oportunidades de emprego, por meio de oficinas capacitadoras àqueles necessitados, bem como investir, por meio de verbas, nos albergues do Brasil, levando higiene, alimentos e segurança para os abrigos, objetivando assegurar os direitos humanos e criar uma sociedade mais coesa e harmônica como prevê Durkheim.