A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 14/10/2020
Apesar do Artigo 5º da Constituição Federal de 1988 resguardar os direitos de todos à moradia, à alimentação e à cidadania, minorias sociais como os moradores de rua passam diariamente por diversos problemas cuja origem se reduz ao não cumprimento desses acordos. Oriundos, grande parte das vezes, da crise econômica do país, esse grupo social luta constantemente contra o ofuscamento de sua cidadania graças à invisibilidade social a que são submetidos.
Em primeira análise, grande parte dessa parcela da sociedade se origina dos problemas em que o país se encontra, é o que aponta pesquisa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome, o qual informa que cerca de 30% das pessoas em situação de rua estão nessas condições graças ao desemprego que, segundo censo de 2018 do IBGE, já passa de 12%.
Ademais, não só as pessoas em estado de rua mas a maioria das minorias sociais se tornam, em maior ou menor grau, invisíveis socialmente. Baseado na tese de Psicologia do estudante Fernando Braga da Universidade de São Paulo, publicada em 2008, é possível inferir que não só os garis (grupo analisado pelo estudante), mas toda uma parcela da sociedade é alvo desse fenômeno social. Ao se vestir como gari e viver sua realidade, Fernando descreve: “fiquei invisível, nem mesmo meus amigos próximos me reconheciam”.
Visto os pontos aqui apresentados, é cabível de discernimento que a conjuntura atual deva ser alterada. É mister que o Estado tome medidas para reverter o quadro atual. A fim de zelar pela vida e pela cidadania dessa parcela da sociedade, é dever do Ministério da Cidadania propor discursos midiáticos que abranjam o incentivo ao trabalho voluntário em ONGs de apoio às pessoas sem teto, bem como a exibição da realidade à que essas pessoas são submetidas, com o objetivo gerar comoção social e conseguir adeptos à causa sem a necessidade de destinação de grandes quantidades de verba pública, o que muitas vezes se mostra tarefa de inúmeros desdobramentos e de difícil concretização. Tais discursos seriam exibidos em horários nobres da rede televisiva, para que um maior contingente populacional seja atingido. Somente por esse caminho a realidade desse e de outros grupos sociais minoritários seria melhorada, garantindo aquilo que a Constituição estipula.