A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 17/10/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão da população em situação de rua no Brasil. Nesse contexto, torna-se evidente como causas a falta de empatia, bem como o silenciamento midiático.
Sob esse viés, a situação de pessoas em condição de rua nesse país, encontra terra fértil na falta de empatia. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo egoísmo. Em virtude disso, há, como consequência o individualismo, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar apenas para si. Essa liquidez que influi sobre à questão da problemática, funciona como um forte empecilho para sua resolução.
Além disso, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução, o silenciamento midiático. Conforme Pierre Boudieu, o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, pode-se observar que a mídia, em vez de promover debates que elevem o nível de informação da população, para que pessoas com melhores condições pudessem ajudar, influencia na consolidação do problema, omitindo ainda mais a situação desumana dessas pessoas.
Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é preciso que as escolas, em pareceria com a prefeitura e o Ministério da Educação, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a questão no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período de contraturno, contando com a presença de professores e pessoas que já vivenciaram tal situação. Outrossim, esses eventos devem ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam a importância de ajudar pessoas em situação de rua e se tornem cidadãos atuantes na busca de resoluções. A partir dessas ações, poderá se consolidar um país de que Machado de Assis pudesse se orgulhar.