A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 30/10/2020
O quadrinho “Um pedaço de madeira e aço” conta a história de um banco de praça onde dorme um morador de rua. Em meio à reprimendas policiais, o banco é trocado por outro mais moderno, no qual é impossível se deitar. O retrato da falta de utilização do espaço urbano e do preconceito contra moradores de rua não está tão longe da realidade. Neste contexto, questiona-se como melhorar a situação da população em situação de rua no Brasil. A resposta reside na realocação dos indivíduos em situação de rua em imóveis inutilizados.
Em primeiro lugar, é essencial apontar que a situação dos moradores de rua é um problema coletivo. Certamente não haveriam tantos cidadãos na rua caso não existissem as desigualdades socioeconômicas. Para exemplificar, uma pesquisa realizada pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome mostrou que 67% da população em situação de rua são negros ou pardos. Sendo um grupo historicamente oprimido, este dado mostra como as razões para a ida à rua estão intrinsecamente ligadas à discriminação social, de cor e de classe.
Porém, muitas pessoas são incapazes de perceber a realidade desigual, e o preconceito contra os moradores de rua ultrapassa o desejo de ajudá-los. A indiferença é tanta que a quantidade de medidas de auxílio em nível governamental é quase nula. E não é por falta de oportunidades: é possível encontrar, ao passear pelas grandes cidades do país, diversos prédios vazios e abandonados, que poderiam facilmente se tornar abrigo para os mais necessitados. Com uma boa estratégia e os recursos já existentes, não é impossível contornar a situação preocupante.
Portanto, para melhorar a situação da população em situação de rua no Brasil é preciso que o Ministério da Cidadania crie um programa de apoio que realocará os mesmos em imóveis inutilizados. A medida também deverá conceder a quantia mensal de uma cesta básica àqueles que se inscreverem, o que resultará na diminuição da situação de rua e melhorará as condições de vida.