A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 30/11/2020

No capítulo 1 do livro Vidas Secas, de Graciliano Ramos, Fabiano e sua família buscam um lar digno, entre a seca do Nordeste, e enfrentam situações precárias, como o descaso e a fome. Analogamente, a situação dessa família é semelhante a de diversos brasileiros que não têm moradia e vivem em situação de rua, sem o devido cuidado governamental e a humanização por parte da sociedade. Nesse sentido, observa-se que essa problemática possui origem nas esferas governamentais e sociais.

Primeiramente, percebe-se que o desemprego e o descaso estatal são fatores que intensificam essa condição. A princípio, não só a falta de acesso ao mercado de trabalho, mas também a crise econômica brasileira faz com que muitos brasileiros se encontrem em vulnerabilidade social e não consigam se manter diante das novas necessidades. Ademais, o empobrecimento do Estado favorece tal crescimento, pois há redução com os cuidados com esse grupo, devido à falta de recursos e à indiferença dos governadores, o que contradiz os preceitos democráticos com a não garantia do acesso à moradia digna - direito humano inalienável. Dessa forma, em virtude da inércia estatal, a parcela social sem lar teve um aumento de 140% entre 2012 e 2020, segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas. Assim, medidas públicas são essenciais para reverter esse quadro caótico.

De outro lado, também, vale ressaltar que essa situação é corroborada por causa do preconceito social para com essas pessoas. A partir disso, destaca-se a invisibilidade que essa minoria sofre, já que muitas vezes não são enxergadas pela população ao caminhar pelas ruas ou são vistas com desprezo, infelizmente, recorrente na contemporaneidade, em decorrência do notável individualismo excessivo e a falta de empatia para com o outro. Esse ponto de vista é confirmado pelo filósofo Zygmunt Bauman, o qual afirma que, na sociedade moderna, há a cegueira moral que faz com que as pessoas percam a sensibilidade humana e está atrelada intrinsecamente nas gerações atuais. Nesse viés, é necessário que prevaleça a união entre os cidadãos em detrimento das relações individualistas atuais.

Fica evidente, portanto, a necessidade de reduzir os efeitos dessa questão. Logo, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, junto à mídia, criar campanhas educativas que abordem os direitos da população de rua e as suas reais condições de vida, por meio da televisão e debates nas escolas, com a presença de profissionais da assistência social, a fim de que seja criada uma consciência entre os brasileiros sobre tal problemática e suas consequências. Além de incentivar o trabalho voluntário e o auxílio a esses indivíduos, para que se crie uma rede de acolhimento às pessoas em situação de rua e a parcela dessa população possa ser mitigada. Sendo assim, casos como de Fabiano não serão tão comuns na pátria brasileira.