A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 03/11/2020

No livro “O Homem Invisível”, de H. G. Wells, é retratado a vida e o sofrimento do Dr. Griffin, que desvendou o segredo para a invisibilidade e, por conta disso, passou a ser totalmente excluído do meio social. Fora da ficção, de maneira análoga, é notório que, no Brasil, o número de pessoas em situação de rua é um problema alarmante e banalizado socialmente, tornando-se, assim, verdadeiros indivíduos invisíveis. Dessa forma, é válido analisar as principais causas e efeitos relacionados a esse triste fenômeno brasileiro.

Em primeira análise, é válido destacar o crescimento exagerado da taxa de desempregados no Brasil, como um importante motivador desse óbice. Consoante dados referentes ao ano de 2020, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), são contados, infelizmente, 13,1 milhões de pessoas inativas no mercado de trabalho. Dessarte, é inaceitável que em um país signatário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Estado não disponibilize vagas de emprego e, desse modo, acaba por agravar ainda mais a situação desse grupo minoritário.

Por conseguinte, nota-se que, o aumento da população em situação de rua no Brasil se transforma num fato, que impacta igualmente na vulnerabilidade desses cidadãos. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2020 o país já ultrapassa a marca de 222 mil indivíduos abrigados nas ruas, e, ainda assim, têm-se uma ausência de movimentação para com a higiene e a segurança destes. Desse jeito, enquanto a não atuação do Estado for uma regra, lamentavelmente, o acesso à moradia será a exceção.

Portanto, para atenuar esse óbice, o Ministério da Economia em parceria com o Ministério da Cidadania, deve, por meio de parcerias público-privadas, criar projetos de reinserção social ao mercado de trabalho, com políticas para a garantia da dignidade destes, visando acabar, assim, com a “invisibilidade” apresentada por H.G Wells.