A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 07/11/2020
No documentário “Situações de Ruas”, é retratada a realidade da população que faz da rua, seu local de moradia, além de expor as consequências dessa conjuntura hodierna no país, por meio das narrativas dos próprios indivíduos nessa condição. Tal questão é sustentada pela ineficiência de políticas públicas e pela postura da sociedade, os quais constituem o alicerce para a existência de parte dos brasileiros sem uma moradia. Assim, faz-se imperiosa a análise acerca da problemática, para que se possa contorná-la.
Em princípio, vale destacar que a falha de políticas de assistência e promoção social é fator determinante para a persistência do cenário deletério. Conforme a Política Nacional para a População de Rua (PNPR), é assegurado o auxílio e a implementação de ações de segurança para pessoas vulneráveis que não possuem habitação. Conquanto, a ausência de aplicações efetivas desse projeto, torna-o ineficaz, visto que ainda existe um grande número de cidadãos desamparados nas ruas, como na cidade de São Paulo, que, de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, atingiu 16 mil habitantes nessas condições em 2016. Logo, essa lacuna presente nesse sistema contribui para a amplitude do agravo, o que expõe os desabrigados a situações paupérrimas.
Ademais, convém ressaltar que a falta de atenção da coletividade com esse público corrobora esse quadro negativo. Segundo a teórica Simone de Beauvoir, em seu conceito de “Invisibilidade Social”, alguns grupos são marginalizados pela sociedade devido às suas circunstâncias. Sob tal ótica, percebe-se que os indivíduos em situação de rua são esquecidos à margem do corpo social, na qual se encontram em posição de “invisíveis”, posto que nesse contexto não dispõem a perceptibilidade de suas necessidades pelo restante da população. Destarte, o descaso com essa questão se transforma em algo habitual no cotidiano, o qual omite sua seriedade real.
Infere-se, portanto, que medidas são imprescindíveis, visando mitigar os entraves à resolução desse revés. Para tanto, urge que o Ministério da Cidadania, por meio da Secretaria Nacional de Assistência Social, intensifique as políticas públicas voltadas à assistência aos cidadãos que vivem nas ruas - as quais invistam na construção de abrigos, tanto individuas, assim como amplos, para também acolher as famílias que estão nessa situação -, com intuito de melhorar as condições dessas pessoas suscetíveis. Outrossim, é mister que as mídias propaguem informações sobre o impasse e alertem a sociedade sobre a relevância de auxiliar esse grupo desprotegido, a fim de proporcionar a visibilidade deste no contexto social. Dessa forma, o cenário apresentado no documentário irá findar-se no Brasil.