A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 08/11/2020

O livro “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, retrata as dificuldades enfrentadas por um grupo de crianças que moram nas ruas de Salvador. Todavia, o cenário abordado na obra converge com a realidade geral do país, e a população em situação de rua no Brasil permanece negligenciada, em especial no que concerne à baixa escolaridade e à marginalização histórica. Sendo assim, é fulcral a adoção de medidas que mitiguem o infortúnio.

Vale ressaltar, em primeira instância, que o baixo acesso à educação corrobora para permanência das pessoas nas condições de rua. Sob esta ótica iminente, a Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua relatou que aproximadamente metade dos moradores possuem o primeiro grau incompleto. Nessa lógica, devido a essa formação escolar precária, esses indivíduos são incapacitados de melhorar sua situação financeira e, por conseguinte, permanecem expostos à criminalidade como meio para conseguir recursos básicos. Dessarte, é medular garantir meios de sustento para essa população.

Outrossim, a segregação dessas pessoas reforça o preconceito enraizado. Consoante a isso, o escritor brasileiro Gilberto Freyre, em sua obra “Casa-Grande e Senzala”, defende que o povo brasileiro se consolidou com base no Brasil Colônia e permanece perpetuando seus valores de discriminação. De maneira análoga, a negligência com a população negra, denunciada por Freyre, ainda se manifesta na exclusão da população de rua, já que, excluídos e desassistidos pelo Poder Público, constituem a maioria dos moradores nesse panorama. Destarte, revela-se a imprescindibilidade de corrigir essa injustiça social que se perpetua pela história nacional.

Portanto, com o fito de facilitar a inserção no ramo laboral e corrigir a falha histórica, o Ministério da Economia, responsável pela administração financeira do país, deve providenciar o acesso desse corpo social a vagas de emprego, por intermédio não somente de cursos profissionalizantes, como também um convênio com empresas privadas, no qual eles conseguiriam conciliar o curso e o trabalho, exercer na prática o estudo e, além de movimentar a economia nacional, melhorarem suas condições social e financeira. Assim, os brasileiros em situação de rua poderão viver como cidadãos, e não apenas sobreviver como os meninos de “Capitães da Areia”.