A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 22/11/2020
O filósofo britânico Thomas Marshall definia minoria como um grupo social que não tem pleno acesso aos direitos civis, sociais e políticos. Dessa forma, análogo a realidade, o autor retrata as condições da população em situação de rua, nos dias hodiernos, no Brasil. Isso ocorre tanto pela falta de empatia social dos indivíduos, quanto pela negligência governamental em elaborar estratégias eficazes de recuperação e suporte a esse grupo.
Impende ressaltar, primeiramente, que a sociedade piora as condições que a população vulnerável se encontra, uma vez que ocorre uma invisibilidade social dessas pessoas. Assim, segundo o psicanalista Christian Dunker, na pós- modernidade, as sociedades se cercam em zonas de conforto, distantes de conflitos e em constante afastamento do próximo. Por conseguinte, imersos neste panorama de anestesia moral, os indivíduos deixam de doar, de ter empatia e de ajudar essa minoria, muitas vezes por preconceito ou por ignorar a necessidade do outro. Assim a falta de solidariedade advinda desse processo não auxilia na transformação e superação dessas pessoas.
Outrossim, é fulcral enfatizar que o governo é o principal responsável pela falta de cidadania e dignidade vividos por essa população. No entanto, para o cumprimento da Política Nacional de 2009, foram criados abrigos para promover mínimas condições de alimentação, segurança e moradia. Contudo, a imposição de as regras rígidas, a falta de cuidados assistenciais e médico cominaram na não adesão desses locais pelas pessoas em situação de vulnerabilidade. Depreende-se, assim, mesmo exista implementação de ações públicas elas são negligenciadas e descontínuas.
Em síntese, é indubitável que estratégias devem ser executadas para diminuir a população em situação de rua. Por conseguinte, cabe à sociedade organizada, em consonância com ONG’s e apoio empresarial, promover campanhas de solidariedade. Isso pode ser feito por meio de doações de alimentos, material de higiene e roupas, com o fito de proporcionar condições básicas de sobrevivência. Além disso, o Governo Federal – como o maior setor administrativo – deve criar regras mais flexíveis no abrigo, com maior segurança, conforto e encaminhamento para o serviço social, a fim de ofertar oportunidade de mudança e mitigar a motivação de permanecer nas ruas. Sob essa perspectiva, será possível construir uma sociedade que usufrua seus direitos humanos em sua totalidade como definia Marshall