A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 05/12/2020

A obra “Capitães de Areia”, escrita por Jorge Amado, narra a vida de um grupo de crianças que moram nas ruas de Salvador e explicita os desafios, bem como a marginalização vivida por elas. Fora da ficção, no Brasil hodierno, a realidade se assemelha com a obra literária, tendo em vista os indivíduos em situação de rua no país. Desse modo, a problemática advém, principalmente, da incúria governamental, como também da mentalidade capitalista, pautada no elevado preço das casas.

Nessa perspectiva, é essencial pontuar que a negligência governamental se configura como contribuinte para a perpetuação da problemática no território nacional. De acordo com o inciso III do artigo 3 da Constituição Federal, um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é erradicar a pobreza e a marginalização, assim como reduzir as desigualdades sociais e regionais. Entretanto, é nítido que o Estado falha em sua função evidenciada pela carta magna, uma vez que, atualmente, ainda se encontram muitos moradores de rua no país, o que aumenta a discrepância social presente na nação. Por conseguinte, é necessário que o governo intervenha, a fim de retirar tais indivíduos das ruas e garantir a eles uma vida digna.

Ademais, é imperativo postular que a mentalidade capitalista, pautada no elevado preço das casas, é um complexo dificultador para a resolução do empecilho. Desde que Adam Smith cunhou as bases do liberalismo econômico, em seu livro “A Riqueza das Nações”, o lucro se tornou o principal objetivo do sistema capitalista. Sob esse viés, visto que o Brasil adota um modelo econômico pautado no capitalismo, os grandes empresários buscam acumular ainda mais riquezas, o que contribui para o aumento no preço e no aluguel das casas, dificultando, muitas vezes, a saída dos moradores de rua para um ambiente digno. Dessa maneira, essas pessoas sofrem com diversos problemas, como a falta de alimentação e de higiene.

Assim, faz-se necessário que medidas sejam tomadas para diminuir a população em situação de rua no Brasil. Portanto, as ONGs, em conjunto à população, devem, por meio de uma petição online e da organização de mobilizações nas capitais nacionais, pressionar o governo para o direcionamento de verbas acerca da melhoria dos abrigos comunitários nacionais, a fim de diminuir o número de indivíduos nas ruas. Por fim, o Ministério da Cidadania e o Ministério da Economia devem, juntos, por meio da criação do programa social “Todos em suas casas”, possibilitar a doação de casas para os sem-teto, além de uma quantia mensal para garantir sua sobrevivência, com o intuito de conceder uma vida digna para eles. Dessa forma, atenuar-se-á, gradativamente, tal problemática no território nacional.