A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 05/12/2020
“Nunca perca a fé na humanidade, pois ela é como um oceano. Só porque existem algumas gotas de água suja nele, não quer dizer que ele esteja sujo por completo”, disse Mahatma Gandhi. Associando esse pensamento a um contexto de organização social, a situação de pessoas que moram na rua funciona como gotas de sujeira poluidoras. Nesse prisma, fatores como a falta de prioridade e um pensamento segregador impedem a limpeza do grande oceano chamado sociedade.
Em primeira análise, a carência de políticas públicas pelo poder governamental mostra-se como um dos desafios para a solução do problema. Desse modo, o poder estatal não dá correta atenção para a questão de poucas oportunidades aos moradores de rua que vivem em situações precárias – frio, fome, doenças -, pois não obtiveram chances suficientes para melhorar de vida, como emprego, educação e respeito. Interligado a isso, o preconceito quanto à cor de pele é outro ponto dificultador. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento social, quase 70% dos moradores de rua são negros, ou seja, a sociedade mesmo após anos de inclusão da Lei Áurea – abolição da escravidão – permeiam racismos enraizados que articulam a decisão de quem deve ter um trabalho e quem deve morrer sem um. Com isso, essas atitudes geram uma sociedade desigual quanto a direitos dados para os cidadãos, o que impede a melhora da qualidade de vida e do convívio em harmonia.
Em segunda análise, um pensamento social de segregação apresenta-se como outro fator que aumenta os problemas de organização do grande oceano. Segundo Hannah Arendt, em sua teoria “banalidade do mal”, argumenta que o pensamento preconceituoso passa a ser realizado inconscientemente quando os indivíduos normalizam tal situação, o que pode ser comparado a uma ideia de exclusão em que seres sem-teto são “vagabundos” - na linguagem popular – que não querem trabalhar. Essa idealização surge pela falta de incentivo em ressignificar raciocínios cotidianos das pessoas que foram construídos em na formação coletiva com a família e os amigos, por exemplo. Nesse âmbito, mais brasileiros permaneceram nas calçadas citadinas, se meios de mudar esse ato de marginalização não sejam efetivados para que eles possam sentir-se incluídos na cidadania plena.
Portanto, cabe à Escola, junto com empresas de propagandas, promover companhas informacionais sobre a marginalização social contemporânea com o “slogan”: “pense no próximo”. Esse projeto pode ser feito por meio de publicações em redes sociais sobre a situação de moradores de rua e como o pensamento de segregação está atrelado a isso, a fim de que a população saiba que pode ajudar a fazer o bem a muitos outros, apenas mudando sua visão de mundo, resultando na diminuição de preconceitos e discriminações no coletivo. Dessa forma, o oceano estára limpo novamente.