A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 07/12/2020
A obra “Capitães da Areia”, do célebre escritor Jorge Amado, narra a história de um grupo de crianças abandonadas por suas famílias, que acabam por viver nas ruas e manter-se por meio de pequenos delitos. Paralelamente, é fundamental notar que o contexto vigente do Brasil aproxima-se do exposto pelo autor, uma vez que o índice de população em situação de rua cresce cada vez mais. Diante disso, aspectos como a negligência governamental e a invisibilidade social compactuam-se para maximizar tal quadro deletério.
A princípio, ao averiguar o imbróglio supracitado, depreende-se que a negligência estatal corrobora sua ampliação. Nesse viés, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, expõe que algumas instituições políticas não cumprem sua função social, tornando-se fantasmas. Dessa forma, é pertinente equiparar o Poder Público nacional ao argumento de Bauman, visto que as políticas públicas direcionadas para melhoria de vida das pessoas que vivem nas ruas são exíguas e ineficientes. Assim, a vinculação dessa postura nociva de inércia acarreta a depreciação da Constituição Federal, que assegura o dever do Estado de combater as causas da pobreza e os fatores de marginalização, de modo a violar a cidadania desses tupiniquins.
Outrossim, é de suma relevância evidenciar a invisibilidade social como propulsora da adversidade aludida. Nessa perspectiva, o livro “A Rainha Vermelha”, de Victoria Aveyard, descreve a sociedade dividida de acordo com o sangue: prateados, os nobres detentores de todo poder, e vermelhos, subjugados a uma condição de vida precária. Não obstante, é essencial relacionar a segregação da obra à sociedade brasileira, visto que a exclusão social e a inferiorização por parte de alguns cidadãos forma um cenário alarmante de disparidade em relação aos habitantes de avenidas. Consequentemente, fomenta a falta de oportunidades e rejeição no mercado de trabalho para esses indivíduos, como o divulgado pela revista IstoÉ, em que cerca de 30% dos residentes de rua estão nessa situação devido à renda insuficiente.
Portanto, intervenções capazes de minimizar as contrariedades da população em situação de vias públicas no Brasil são improrrogáveis. À vista disso, a mídia digital deve realizar campanhas de mobilização e conscientização dos tupiniquins, através de petições civis que cobrem do Estado uma postura coerente e de investimentos no setor habitacional, a fim de mitigar a carência estrutural. Ademais, o Tribunal de Contas da União necessita direcionar verbas para as ONGs de amparo executarem serviços de acolhimento e atendimento, com programas educativos profissionalizantes, de feitio a distanciar o Brasil de “Capitães da Areia”.