A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 07/01/2021
O livro “Bruzundangas”, de Lima Barreto, retrata a triste realidade de muitas pessoas, inclusive moradores de ruas. Fora da ficção, o que foi descrito na obra relaciona-se com um problema da atual conjuntura brasileira, em que a sociedade, de modo geral, tem a tendência a ignorá-lo: a população em situações de rua. Desse modo, urge a necessidade de atentar-se como a insipiência estatal e a insistência do senso comum fomentam a problemática.
Primeiramente, há de constatar a displicência governamental. Precipuamente, no livro “Cidadão de Papel”, do Gilberto Dimenstein, é dito que as leis efetivas se encontram majoritariamente na teoria. Outrossim, ao destacar a carência de políticas públicas disponibilizadas pelo governo a fim de retirar as pessoas das ruas, promoverem para os mesmos uma dignidade e apresentar alternativas para empregá-los, é perceptível que esse imbróglio relaciona-se com as palavras do autor. Dessa forma, há de constatar que, infelizmente, a problemática fere os princípios normativos da Constituição Federal de 1988 e causa o recrudescimento do cenário em que há pessoas em situação de rua.
Ademais, vale ressaltar que a lacuna educacional corrobora esse quadro. Além disso, de acordo com Heidegger, filósofo alemão, o homem se constrói na medida de suas interações. Analogamente, as pessoas, poderiam receber orientações na escola sobre como obter-se um emprego, realizar um controle financeiro, para evitarem dividas e acabarem em situação de rua. Nesse viés, conforme o site G1, cerca de 50% dos moradores de rua possuem o primeiro grau incompleto, o que se relaciona com o que foi previamente dito. Desse modo, confirma-se que o meio social influi negativamente para a situação de pessoas em ruas.
Destarte, medidas fazem-se relevantes para mitigar a questão de pessoas sem moradia. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, juntamente às mídias e dentro das escolas, instituir projetos como o “Ajude os moradores de rua”, responsável por educar socialmente os estudantes e suas famílias. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores e algumas pessoas sem moradia, a fim de expor, debater e reverter as condições de pessoas nas ruas. Assim, será possível distanciar-se-á do hediondo cenário apresento por Barreto.