A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 13/01/2021

Segundo a filósofa Marilena Chauí, os animais são seres naturais e os humanos, culturais. Nesse sentido, a afirmação dela corrobora a ideia de que os sujeitos são reflexos inegáveis do ambiente em que vivem e que a cultura direciona as escolhas e a cultura de cada um. Assim, essa análise pode ser aplicada à questão das pessoas em situação de rua no Brasil, já que é justamente a invisibilização desses indivíduos na sociedade que faz com que a população conviva passivamente com essa situação degradante. Dessa forma, essa exclusão ocorre devido ao individualismo e graças à atuação falha do Estado nesse problema.

Antes de tudo, ideais individualistas impedem que esses vulneráveis sejam assistidos pelas pessoas. Nesse contexto, na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada por noções egocentristas. Dessarte, na sociedade brasileira, indivíduos em situação de rua são, frequentemente, tidos como merecedores do estado degradante deles, dado que há a ilusão de que as estruturas sociais são justas e que todos têm a oportunidade de ascender na vida. Contudo, isso não é observado na realidade, porque grande parte dos desabrigados não estão nesses locais por opção, mas sim pela falta de possibilidade de sair desses lugares. Desse modo, essa ideia errônea gera o apassivamento da população e faz com que esse problema perdure.

Ademais, a atuação deficitária do Estado dificulta a resolução dessa problemática. Nessa perspectiva, de acordo com o pensador Umberto Eco, para ser tolerante, é preciso fixar os limites do intolerável. Destarte, é inaceitável que a gestão pública, responsável pelo bem-estar dos cidadãos, não confronte essa contrariedade diretamente. Com efeito, essa ausência de enfrentamento ocorre devido à falta de políticas eficazes. Outrossim, o governo brasileiro, ao não solucionar essa adversidade, perde a atuação de pessoas que poderiam estar sendo economicamente ativas. Dessa maneira, os políticos devem refletir, pois o investimento para tirar essas pessoas dessa situação deplorável, em longo prazo, será ressarcido, visto que elas passarão a colaborar com a sociedade e não a mostrar o pior lado dela.

Portanto, é imprescindível atuar de forma ativa na solução dessa injustiça. Assim sendo, o Governo Federal, com o apoio das escolas, deve, por meio de verbas públicas, criar um programa para reinserir os moradores de rua no convívio coletivo. Sob esse viés, esse plano atuaria na oferta de moradias e de oportunidades de emprego a esses sujeitos e na criação de palestras gratuitas em escolas. Diante dessa perspectiva, esses seminários contariam com a presença de sociólogos e fariam com que as pessoas refletissem a respeito dos problemas sociais, além de estimular o respeito aos desabrigados. Em suma, a partir dessas ações, os residentes mundanos terão a vida digna que todos merecem.