A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 15/01/2021

É visível que, no Brasil hodierno, a existência de citadinos em situação de rua pode ser relacionada à rápida urbanização e à globalização. Essa problemática surge devido ao fato do crescimento ter ocorrido de forma desigual, acelerado e, muitas vezes, sem planejamento algum, durante a industrialização, na década de 1950, nos governos de Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Em detrimento disso, percebe-se um grande déficit habitacional e consequente aumento no número de desabrigados, que carecem de direitos, nas cidades brasileiras. Dessa forma, é imprescindível a ação de Organizações não Governamentais (ONGs) para solucionar esse impasse.

Em primeiro lugar, é visível que, dentre as causas da grande quantidade de moradores de rua no Brasil, está o processo de urbanização acelerado decorrente da globalização. Essa ideia vai ao encontro da teoria de “globalização como perversidade”, do geógrafo brasileiro Milton Santos, a qual diz que a desigualdade é oriunda do processo de globalização que gerou entre os países a troca desigual de mercadorias que faz com que os países subdesenvolvidos tornem-se mais dependentes dos países ricos. Isso corrobora para o acirramento das desigualdades nos países mais pobres, como o Brasil, o que aumenta o nível de pobreza e de desemprego. Por fim, as pessoas que sofrem com esses problemas viram desabrigados por falta de condição financeira ou por tentarem buscar refúgio no mundo das drogas, como o álcool e o crack.

Por conseguinte, denota-se a falta da efetivação dos direitos políticos, sociais e civis aos moradores em situação de rua, como dignidade moradia e lazer. Essa situação contrasta com o conceito de cidadania proposto pelo sociólogo britânico Thomas Humphrey Marshall, que pode ser definido como a garantia, em tempo integral, de todos os direitos do cidadão. Portanto, depreende-se que os desabrigados não são tratados da forma como deveriam, visto que não possuem acesso à educação, saúde e moradia que são fundamentos brasileiros, o que necessita urgentemente de mudança.

Logo, em virtude dos fatos mencionados e argumentos analisados, é evidente a nescessidade da garantia dos direitos constitucionais aos sem-teto. Para isso, é necessário que as ONGs criem mais centros de acolhimento aos desabrigados, por meio de campanhas de arrecadação de fundos para essa causa, visto que as pessoas vão se solidarizar e fazer doações. Com isso, será possível dar moradia a essa parcela da sociedade e garantir outros direitos como alimentação, lazer e saúde.