A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 02/03/2021
A passagem nas grandes cidades brasileiras é marcada por um grupo que, apesar de volumoso, permanece marginalizado: a população de rua. O modo de vida desumano que esse povo leva tem como origem a desigualdade social, e as consequências são prejudiciais para a própria sociedade que o coloca nessa situação, sem nem saber quando será a próxima refeição.
Nos tempos atuais, os fatores que levam indivíduos a morar na rua ficam mais evidentes. Com o desemprego atingindo níveis exorbitantes, complica-se cada vez mais sustentar uma família com o alto custo de vida nas áreas urbanas. Ademais, a classe menos privilegiada conta com pouco acesso à educação, de modo que essa fica mais suscetível às drogas e acaba-se com um aumento de casos da dependência química e alcóolica. Assim, muitos são expulsos de casa, seja pela família ou por uma ordem de despejo.
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 221.869 pessoas vivem nessa condição precária no Brasil. Como consequência disso, se destaca o crescimento da violência e do preconceito, afinal, ainda há a crença de que uma pessoa merece residir na rua, pois essa não teria trabalhado o suficiente, o que facilita a disseminação do ódio pregado contra os sem-teto. A sociedade que tanto luta para a atenuação da crueldade não percebe esse índice alarmante: apenas no ano de 2019, segundo o Ministério da Saúde, foram contabilizados 17 mil casos de agressão contra essa população no país.
Como disse o padre Júlio Lancellotti, famoso pelo seu trabalho com os mais vulneráveis: “É preciso olhar para a vida de forma humana”. Portanto, é necessário que sejam criadas pelo governo, por intermédio do Ministério da Cidadania, programas para a inclusão dos moradores de rua na comunidade, por meio da geração de empregos e moradia, e não apenas melhorias na condição financeira, mas também integração completa desses seres humanos como cidadãos, tendo os seus direitos devidamente restaurados, de modo que possam ter uma vida digna e assim garantir um futuro melhor para quem tem muito pouco ou nada.