A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 02/03/2021
Quintal de Despejo
O filme “The Pursuit of Happyness” retrata a história de Chris Gardner, um infortunado que viveu algumas aventuras na atmosfera financeira. Dentre essas suas jornadas, presenciou a experiência de um sem-teto, não tendo abrigo fixo para dormir. Do mesmo modo, no Brasil, milhares de civis também experenciam essa situação, partindo até os extremos. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), cerca de 221.869 cidadãos convivem nas ruas, não obstante, o número se torna uma progressão com o passar do tempo, visto que as taxas de pobreza não diminuem.
A partir desta análise, é possível citar alguns agentes desse fenômeno. Levando em consideração a atualidade, a pandemia do Covid-19 desencadeou situações de extremo desespero. O desemprego aumentou em 33,1%, consoante o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), desdobrando nos moradores de rua. Estes, vulneráveis à margem da sociedade, sofrem com o preconceito, rebentando na violência, como ocorrido na Chacina da Candelária, depressão, desrespeito e sofrimento.
Ademais, é notório ressaltar a invisibilidade que a sociedade procura manter ao citar os desabrigados. Como pessoas, “animais” indesejáveis, eles arcam uma arrepsia existencial, em que nem sabem mais se estão vivos. O trauma instaurado é de pesado reparo, visto como no próprio acontecimento citado anteriormente, quando um dos sobreviventes da chacina, Sandro Barbosa do Nascimento, futuramente, atenta um ônibus no Rio de Janeiro, prova da consequência de vida nas ruas. Logo, morar nas ruas, é sinônimo de ser jogado em um “lugar de despejo”, visto o tratamento que recebem e o sofrimento que vivem. Como no quadro “Os Retirantes” de Portinari, os sem-tetos são obrigados, pelos fatores externos, a sempre estar de mudança, presenciando inseguranças sem limites. Um futuro sem planejamento, a única “cobiça” é o alimento que pode não chegar na barriga por dias. Portanto, infere-se que o Governo Federal deve não só proporcionar medidas que afastem as pessoas das ruas, como planos de reabilitação para a “sociedade”, criando mais abrigos sociais, isto é, separando verbas para a problemática abordada, além de atempar nesses mesmos locais especialistas em saúde mental, pensando no bem-estar interior, de forma que a população consiga sair do abalo não só por ajuda financeira advinda de voluntários, mas possa se reestabelecer intelectualmente para que o episódio não se repita.