A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 26/02/2021
De acordo com a tela “Os Retirantes”, de Candido Portinari, o painel traz a face da humanidade em seu amplo amargor da realidade vivenciado pelos infortunados sujeitos do século XX. Nessa ótica da atualidade, apesar da lacuna histórica, percebe-se que a mesma infelicidade, assim como na obra, continua a trazer uma verdade estrondosa, hoje devido à crise da população em situação de rua. Feito esse que, diversas vezes, não é percebido. Logo, se a indiferença perdurar por esse rumo, restará o retrocesso humano.
Tal contexto advém, em primeira análise, do olhar míope da sociedade em relado aos menos abastados que vivem nas ruas. Segundo o filósofo Thomas Hobbes: “O homem é o lobo do próprio homem”, frase esta que ressoa no atual, pois ele é o transgressor de sua própria degeneração. Essa atmosfera tem como consequência, a parte de uma nação sem-teto, familiarizados a ficar sob as pontes e viadutos das cidades. Diante do fato, a invisibilidade que gira em torno do povo carente persiste paulatinamente. Ora, se a cegueira da sociedade continuar não haverá futuro destituído de mazelas.
Outro coadjuvante desse cenário é a negligência fornecida pelo Estado, em relação aos menos afortunados que enfrentam essa vida complexa. O Artigo 5.º da Constituição Federal garante igualdade perante a lei, mas esse assertivo torna-se uma falácia, pois a desigualdade é panorama de diversos brasileiros que passam despercebidos dos olhos daqueles que não querem ver. Com base nisso, é válido pontuar que, se há constância desse desleixo, a involução é iminente.
Diante das adversidades com proporções absurdas, em reflexo da massa populacional subjugada ao desespero nas periferias das cidades, ainda é possível perceber a luz da esperança no final. De modo análogo, a reportagem do G1 que intitula os voluntários da região de Belo Horizonte, que ajudam os individuos moradores de rua, levando comida, água e roupas de frio para esses necessitados. Ademais, essas ações fundamentam-se no sinônimo de virtude, exemplar para a evolução social.
Repensar sobre a crise da população em situação de rua faz-se primordial. Portanto, cabe a maior parcela dos indivíduos se mobilizarem, através de intervenções sociais, por intermédio da mídia para vasta disseminação de ideias, a fim de garantir primazia aos sem-teto. Outrossim, é dever do Poder Público promover investimentos e assinar contratos com ONG’s, por finalidade de construir casas para a máxima quantidade de desabrigados e desse modo proporcionar conforto. Com essas medidas, o meio social terá chances de garantir igualdade, possibilitando o fim da distopia desenvolvida pelo quadro “Os Retirantes” de Portinari.