A população em situação de rua no Brasil
Enviada em 02/03/2021
Segundo a Secretaria Nacional de Assistência Social, pessoas em situação de rua são um grupo populacional que têm em comum a pobreza absoluta e a falta de habitação regular, sendo obrigadas a utilizar a rua como espaço de moradia e sustento, de forma temporária ou permanente. Esse estado de vulnerabilidade se perpetua tanto pelo preconceito, quanto pela idealização do ambiente urbano. Sendo assim, essa questão deve ser tratada com urgência, visto que desumaniza essas pessoas e ignora seus direitos básicos.
Primeiramente, a classe dos moradores de rua sofre constantemente com o preconceito, e isso fica claro no desenho infantil “Os Jovens Titãs”, no qual o personagem figurante chamado “Zé Grudento” é um sem-teto extremante estereotipado como: sujo, inconveniente e desprovido de intelectualidade. Se esse tipo de definição está enraizada na sociedade, fica evidente que a mesma não vai ajudar a reintegrar tais cidadãos, e tira até mesmo sua humanidade, como enfatiza a frase do psicólogo/pesquisador Sharlys Jardim: “Mendigos de rua tem coração e sangue nas veias”.
Ademais, cerca de 16% da população de rua está nessa condição devido o desemprego. Isso é comum visto que existe uma idealização dos centros urbanos como sinônimos de prosperidade, então muitos realizam o êxodo rural mesmo sem os recursos necessários para sobreviver na cidade. Consequentemente, o destino desse indivíduo fica a mercê da sociedade, sendo que não tem dinheiro para viver e logo será considerado inapto para trabalhar e passar uma boa imagem durante processos de admissão. Como prova, São Paulo, a cidade símbolo da inovação, tem mais sem-abrigo que o resto do Brasil, totalizando mais de 24 mil pessoas.
Nesse sentido, cabe ao governo federal promover um processo de assistência para cidadãos que desejam realocar-se em busca de oportunidades laborais, por meio de parcerias com o PAT (posto de atendimento ao trabalhador), mapeando os locais com maior quantia de vagas em diferentes setores, a fim de diminuir a concentração de desempregados em áreas urbanas. Portanto, ao adquirir uma estabilidade salarial mínima é possível manter a qualidade de vida do migrante nacional brasileiro. Quanto ao preconceito, este deve ser desconstruído desde a infância por meio de uma humanização da comunidade sem-teto, e assim aos poucos os estereótipos serão reduzidos.