A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 03/03/2021

É inegável que a situação de vida nas ruas é estarrecedora. O ato de morar nas ruas traz consigo questões incômodas às pessoas, tanto às que ali vivem, quanto às que por elas passam. Pessoas em condição de rua sofrem com a violência, com a falta de condições básicas de higiene, com o abandono moral e com a perda da dignidade.

Denota-se que, a grande maioria das que optaram por viverem em condições de rua, são pessoas que já estiveram no outro lado da história. Já possuíram famílias, empregos, respeito e dignidade. Mas por uma questão de desestruturação, seja familiar ou financeira, ou por abusos domésticos, não lhes restaram outra opção a não ser as ruas. E essa grave situação vem se estendendo desde os pequenos até os grandes centros urbanos. Portanto, não se pode perder de vista que, há um fator primordial na questão do viver nas ruas, qual seja, a desumanização da pessoa. Essa população de rua é invisível aos olhos da sociedade, sem contar na violência física praticada por aqueles que são avessos a essas pessoas. Muitas pessoas em condições de vulnerabilidade sofrem violência física, sejam homens, mulheres ou crianças, ocasionando, em alguns casos, a morte dessas pessoas.

Conforme nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), entre 2012 e março de 2020, o número de pessoas em situação de rua no Brasil cresceu 140% entre 2012 e março de 2020, chegando a quase 222 mil pessoas, sendo certo que, a grande maioria encontra-se desempregada ou em trabalhos informais. Essa grave questão social está muito distante de ter um fim aceitável. Muitos que na rua vivem, buscam uma melhor qualidade de vida. No entanto, são impedidos de trabalharem formalmente, porque não têm comprovante de residência e, não conseguem uma moradia, porque não comprovavam a renda oriunda de seu trabalho. Essas contradições que afetam, diuturnamente, a população de rua, precisam ser levadas em conta pelo poder público, afinal são pessoas que necessitam de amparo, de acolhimento e de oportunidades, ainda mais em tempos de Pandemia, como o que estamos vivendo, onde o desemprego, a falta de moradia causada por despejos forçados e a ausência de perspectivas, têm assolado a vida dos menos favorecidos.

Por consequência, a sociedade civil necessita ser conscientizada acerca do respeito que a população em condições de rua merece ter, enquanto pessoa detentora de direitos e deveres. Assim, visando minorar o sofrimento dessas pessoas, tão vulneráveis diante de todo o contexto histórico e social, necessário e urgente se faz a elaboração de um plano municipal para acompanhar e monitorar a implementação de políticas públicas, por meio das Secretarias Municipais, com a finalidade de garantir educação profissional, habitação popular e assistência médica e social aos moradores de rua.