A população em situação de rua no Brasil

Enviada em 16/04/2021

No governo de Juscelino Kubitschek, uma das principais ocorrências fora o êxodo rural, devido as novas políticas governamentais em relação ao campo. Com isso, ocorreu um desenfreado processo de urbanização, sem que as cidades possuíssem infraestruturas para receber tantas pessoas. Assim, por consequência de uma urbanização desenfreada, o número de moradores de rua cresce fortemente até os dias atuais. Assim, situação comum a essa parcela populacional é a sua invisibilidade social perante uma sociedade fortemente individualista.

Em primeiro lugar, vale destacar que pessoas em situação de rua são consideradas invisíveis perante os olhos da sociedade. Para explicar, é comum ser visto, principalmente em grandes centros urbanos, pessoas que ao se depararem com alguém em situação de rua simplesmente o ignorarem, sem ao menos lhe darem um ‘‘bom dia’’, afinal, não o consideram como parte de sua realidade. Nesse contexto, vale destacar a ideia de ‘’estigma social’’ do sociólogo Erving Goffman, em que se é afirmado a existência de uma marca, ou sinal, imposto ao indivíduo que acaba ficando com um status inferior em relação aos demais; assim, como consequência dessa marca imposta pela sociedade, a pessoa estigmatizada pode a vir não ser aceita socialmente. Desse modo, essa ideia proposta por Erving Goffman ajuda a explicar a invisibilidade social das pessoas em situação de rua perante a sociedade.

Além disso, vale mencionar a dominância do individualismo e do egoísmo nas sociedades modernas, a do Brasil não sendo exceção. Segundo o sociólogo Zygmund Bauman, a modernidade é época em que a vida social passa a ter como centro a existência do individualismo. Por consequência, a indiferença ao próximo é algo habitual, afinal, a característica central do individualismo é a pessoa em se colocar em primeiro lugar em relação aos demais, portanto, não é de se impressionar a negligência da sociedade com as pessoas em situação de rua.

A partir do que foi discutido, percebe-se, então, que há uma necessidade de trazer à tona a situação de pessoas em condição de rua, a fim de sanar a sua invisibilidade social. Com isso, cabe ao Governo, em parceria com o Ministério da Cidadania, orgão responsável por políticas de desenvolvimento social, em organizar oficinas e debates que busquem despertar na população a importância da solidariedade ao próximo. Para isso, podem ser estabelecidos, em locais públicos, tais como praças em centros urbanos, horários para a realização de tais debates e oficinas. Com isso, pessoas que seguem o seu dia a dia acabarão vendo, e ouvindo, tais debates e, por consequência, estarão mais dispostas a não ignorarem e ajudarem um morador de rua, quando o virem.